As tragédias climáticas que assolaram o Estado lançaram o desafio para as autoridades e para os estudiosos de entender profundamente as causas desses eventos e elaborar e implementar políticas públicas que possam prevenir essas ocorrências. O aquecimento global, que parecia uma adversidade distante, incorporou-se ao cotidiano das populações, trazendo estiagens e inundações que atentam contra o patrimônio das famílias e até mesmo contra a vida das pessoas vítimas desses flagelos. Diante de uma realidade que aponta para a repetição desses fenômenos naturais e trágicos, urge que haja programas e projetos de curto, médio e longo prazos para implantar as medidas necessárias para mitigar as vicissitudes previsíveis que envolvem tais sinistros que tendem a se repetir com maior frequência e em lapsos temporais cada vez menores.
Dentro desse panorama que demanda atenção e prevenção, fóruns com esse tema são bem-vindos. É o caso dos debates da 76ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que começou neste domingo e vai até o dia 13 de julho, em Belém. A entidade tem reconhecimento nacional e internacional pela qualidade dos seus fóruns e levantamentos, que servem de paradigmas para os governantes nas mais diversas áreas de serviços, como saúde, educação, saneamento e ciência, entre outras. O eixo temático será “Ciência para um futuro sustentável e inclusivo: por um novo contrato social com a natureza”, com mais de 35 mil participantes. Trata-se de ouvir a comunidade científica acerca das mudanças climáticas, da necessária redução da emissão de gases poluentes e do crescimento sustentável.
O caso do RS é emblemático para que se avance no convívio com a natureza, prevenindo secas e cheias e defendendo os diversos ecossistemas, bem como os biomas. É preciso que os orçamentos públicos incorporem essa preocupação, disponibilizando os recursos devidos. Somente uma grande união institucional pode apontar para soluções efetivas contra essas crises sistêmicas e de tantos danos à coletividade.