Editorial

Tragédias nas águas enlutam famílias no Rio Grande do Sul

Os números de afogamentos demandam atenção especial do poder público.

Os números são estarrecedores: nove morreram no Rio Grande do Sul no período que medeia entre o sábado e a manhã de segunda-feira. Esses fatos trágicos podem ser creditados ao calor intenso, que faz com que haja uma grande procura por lugares em que se possa refrescar, tanto em águas internas como no mar. Esse acúmulo de mortes demanda uma atenção especial das autoridades e um cuidado geral por parte das famílias. Dois óbitos foram registrados em águas marinhas de Tramandaí e de Capão da Canoa e sete casos em cursos d’água do Interior, como Barros Cassal, Restinga Seca, Santo Ângelo, Santa Cruz do Sul, Cachoeira do Sul, Pinhal Grande e Rio Caí.

De um modo geral, nesses óbitos estão presentes fatores como negligência, imprudência ou imperícia. A negligência está presente quando se entra em rios e mares sem os devidos cuidados, como boias ou equipamentos de segurança. Não é feito o que se deve fazer. A imprudência tem vez quando o veranista, por exemplo, ingere bebidas alcoólicas antes de adentrar águas ou entra mesmo sabendo de suas fortes correntezas. É feito o que não se deve fazer. Por sua vez, a imperícia se evidencia quando o banhista confia em sua destreza no nado, mas ela não se mostra suficiente, demonstrando sua falta de habilidade na prática da natação. Tenta-se o que não se sabe. Tais condutas devem ser prevenidas e, nesse sentido, o poder público tem seus encargos e responsabilidades, devendo realizar campanhas de esclarecimento e de conscientização.

O objetivo maior deve ser o de que nenhuma vida seja perdida em rios, mares, açudes, córregos e assemelhados no RS. Urge que se adotem medidas preventivas, como zelo constante com crianças, escolher áreas de banhos próximas a guaritas, respeitar as bandeiras vigentes no tocante ao mar, não mergulhar em lugares desconhecidos, saber dos limites do seu corpo, entre outros pontos. A busca de uma forma de enfrentar as altas temperaturas não pode acabar em luto para as famílias por conta da perda de entes queridos.