Editorial

Um acordo há muito esperado perto de ser assinado em breve

Estima-se que o acordo envolva 722 milhões de pessoas e 22 trilhões de dólares.

Depois de muitos e muitos anos de negociações, mais de duas décadas, com idas e vindas nas tratativas, tudo indica que o acordo União Europeia-Mercosul vai, finalmente, deslanchar. De acordo com um anúncio do presidente Lula neste domingo, a assinatura do documento sobre o livre comércio deverá ocorrer em 20 de dezembro, quando haverá uma reunião de cúpula em Foz do Iguaçu entre os países do bloco, que, no momento, está sendo presidido pelo Brasil.

As movimentações previstas são muito significativas, estimando-se que envolvam 722 milhões de habitantes e 22 trilhões de dólares de Produto Interno Bruto (PIB). Segundo Lula, “possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo. E aí, depois que assinar o acordo, vai ter ainda muita tarefa para a gente poder começar a usufruir das benesses desse acordo, mas vai ser assinado", enfatizou. É preciso acrescentar que serão dois acordos, um provisório, que entra imediatamente em vigor, e outro permanente, que precisa passar por ratificação na esfera das nações integrantes do bloco europeu. E são muitas as instâncias e etapas a serem percorridas nesse processo, tanto entre os países-membros como nos seus âmbitos internos, cuja legislação deve incorporar o teor do que foi acordado, precisando haver um quórum de maioria simples para sua vigência. Já para os países sul-americanos, embora haja a necessidade de ratificação nacional, os procedimentos são menos burocráticos. Os maiores óbices vêm sendo colocados pela França, que teme a concorrência dos produtos e commodities exportados pelo Mercosul e adota uma política protecionista do seu setor primário.

Num cenário de um comércio global bastante competitivo e num mundo em que alguns parceiros podem apresentar reviravoltas em suas diretrizes negociais, como está ocorrendo com os Estados Unidos, é sempre importante abrir novos mercados. Aumentar as exportações e agregar valores aos produtos é algo necessário para aumentar o volume das receitas. É dessa forma que o país vai financiar seu desenvolvimento, algo que pode ser feito em conjunto, como no caso do Mercosul.