Editorial

Um alerta mundial sobre a violência praticada contra as mulheres

Recentemente, no Rio Grande do Sul, num feriadão, foram cerca de dez feminicídios.

O número é realmente impressionante, sem deixar de ser disparatado caso se considerem as incontáveis constatações já a partir do nosso entorno, configurando um ambiente de opressão que vai desde as comunidades até os grandes conglomerados urbanos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 840 milhões de mulheres no mundo foram alvo de violência, principalmente a praticada no ambiente doméstico. Em 12 meses, 316 milhões sofreram essa violência praticada pelo parceiro, delito que costuma ser de autoria plenamente identificável, mas de difícil prevenção.

Não precisamos ir longe para sentir que essa realidade é um fato. Recentemente, no Rio Grande do Sul, num feriadão, foram cerca de dez feminicídios, desafiando as autoridades e a sociedade civil. Isso é uma realidade lamentável que se multiplica pelo país e pelo mundo, sem distinção de estágio de desenvolvimento da nação, podendo ocorrer tanto nos países ricos quanto naqueles considerados em desenvolvimento. É um fenômeno mundial que ocorre em todas as classes sociais, demandando um combate amplo e articulado, inclusive com orçamento forte para poder organizar atividades de suporte e de prevenção, como promotoras legais nos bairros e casas de passagem, visando também uma qualificação profissional para permitir uma independência financeira. A questão do enfrentamento ao machismo precisa ser feita de forma ampla desde a mais tenra idade, tendo na família e nas escolas focos de esclarecimento. Os abusos são os mais variados, inclusive com gravidezes forçadas em crianças e adolescentes, as quais acabam tendo suas vidas destroçadas e tendo que defrontar-se com obstáculos imensos para sobreviver em face das consequências desses crimes deploráveis.

Em tudo isso, avulta a necessidade de se promoverem campanhas de conscientização e de se dar a devida importância às demandas das mulheres, aprimorando as ferramentas de prevenção de tais ocorrências, bem como de investigação e de punição de culpados. Essa verdadeira epidemia de truculência e de alta letalidade não pode continuar.