Mal começou o ano de 2026 e as tragédias já começam a rondar os lares e a sociedade gaúcha. O RS já registra um número de feminicídios semelhante ao de janeiro do ano passado no mesmo período, o que deve servir de alerta para as autoridades e para a sociedade civil, que precisam se mobilizar para enfrentar essa realidade perversa na qual as mulheres são mortas pelo simples fato de ser mulher e por resistirem ao autoritarismo dos homens com os quais tiveram algum tipo de relacionamento afetivo, curto ou prolongado.
Não é possível continuar com esse cenário aterrorizante, com vidas sendo interrompidas abruptamente, famílias sendo desfeitas, filhos ficando órfãos, sonhos ficando pelo caminho, projetos sendo desfigurados, o luto se impondo, a dor se avolumando. É necessário realizar o enfrentamento em dois vieses, sendo um repressivo, para apurar e punir os criminosos, e outro preventivo, com medidas eficientes para desestimular e evitar novas ocorrências trágicas. Vale fazer justiça em nome das vítimas que partiram sem poder cumprir com sua trajetória no seu cotidiano e vale também agir para impedir que novas mulheres venham a ser vitimadas de forma absurda, inaceitável e sem sentido. Nessa esteira, faz bem a Polícia Civil do RS, que está realizando uma operação que já prendeu diversos agressores que desrespeitaram as medidas protetivas concedidas a mulheres que foram alvo de violências e ameaças praticadas por eles Isso mostra que elas não estão sozinhas e que o poder público está atento para os seus dramas, que são igualmente de interesse da coletividade.
Os números de 2025, que se crê serem subnotificados, indicam que cerca de 1.500 brasileiras foram assassinadas. Trata-se de um verdadeiro massacre que não pode continuar. Urge estudar iniciativas que possam ajudar as mulheres a sobreviver. Isso demanda um aparato estatal eficiente e investimentos que precisam ocorrer, inclusive para fortalecer uma rede de apoio que envolve delegacias especializadas, varas judiciais específicas, qualificação profissional e casas de acolhimento. Essa barbárie cotidiana tem de ser interrompida. Não se pode permitir que tais atrocidades continuem ocorrendo e se repetindo todos os dias.