A informação é auspiciosa e merece ser recebida com boa expectativa por todos os países em desenvolvimento, bem como pelas nações pobres. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou na sexta-feira, em Roma, a destinação de 5,8 bilhões de dólares para a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que conta com o apoio do governo brasileiro. Estudos recentes apontam que cerca de 670 milhões de pessoas no mundo enfrentam uma severa falta de alimentos no cotidiano, prejudicando seu desenvolvimento físico e psicológico e, pior, as próprias relações democráticas no âmbito de seus países.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil saiu recentemente do mapa da fome no mundo, reduzindo o montante para aproximadamente 5,3 milhões de brasileiros. A redução deve ser saudada, mas a meta de erradicação precisa permanecer no horizonte dos governantes, que necessitam adotar as políticas públicas que possam melhorar esse cenário de carestia. Como no Brasil tudo se dá em larga escala, é como se em torno de um Uruguai e meio estivesse em insegurança alimentar, fazendo-se a correlação numérica com o total de habitantes do vizinho país. Nunca é demais lembrar que uma pessoa faminta tem suas defesas naturais afetadas, ficando com sua imunidade prejudicada diante de doenças oportunistas que têm mais facilidades de atuar num organismo fragilizado. Isso acarreta consequências, inclusive para o erário, na medida em que, instalada a enfermidade, será mais um paciente a demandar os serviços de saúde em uma fase crítica, algo que poderia ser evitado.
O enfrentamento da questão alimentar passa por vários fatores, como a geração de emprego e de renda, e também pelo filtro da prevenção do desperdício de alimentos, algo que alguns levantamentos apontam que poderia equacionar a falta de alimentos no planeta. São iniciativas que, unindo os entes federados, a sociedade civil e a iniciativa privada, com o devido fomento à agricultura familiar, seriam muito bem-vindas para garantir que cada pessoa tenha a chance de ingerir os nutrientes de que precisa para viver bem no seu cotidiano.