Editorial

Um aprendizado com potencial para uma necessária melhoria

Os baixos resultados dos nossos alunos em nível internacional são um desafio inafastável.

Para qualquer nação civilizada, a educação ocupa um papel estratégico e essencial para alavancar o seu desenvolvimento. Com o Brasil não é diferente e sucessivos governos vêm adotando políticas públicas que possam diminuir o fosso existente entre o país e outros que atingiram um melhor desenvolvimento e com bons índices socioeconômicos para ostentar, mostrando um caminho a ser percorrido. O problema é que, a cada vez que os nossos estudantes são submetidos a aferições que medem nossa qualidade de ensino em relação a outros países, os resultados costumam ser pouco animadores.

O cotejo mais recente foi pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), referente ao ano de 2025, divulgado nesta terça-feira, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Aplicado a cada três anos pela entidade, o Pisa avalia os conhecimentos de estudantes na faixa de 15 anos de idade em matemática, leitura e ciências. Nesta avaliação, embora tenha continuado com notas inferiores às de outras nações mais avançadas, o país melhorou em relação ao seu próprio desempenho anterior. Segundo os informes, quando se comparam os dados dos anos de 2006 e 2025, a diferença de desempenho em relação à média dos países da OCDE diminuiu de 102 para 58 em leitura, uma redução de 44 pontos; de 131 para 92 em Matemática, redução de 39 pontos; e de 113 para 77 em Ciências, diminuição de 36 pontos. Melhora tímida. Há que se considerar que os volumes aplicados em educação são vultosos. Em 2025, foram aportados R$ 180,64 bilhões e, no ano em curso, a rubrica do setor indica a destinação de R$ 233,4 bilhões, um valor considerável, não obstante ser consumido, majoritariamente com folha salarial. Não é demais pretender que tal destinação seja otimizada em seu custo-benefício, como todo gasto público deve ser.

Infelizmente, essa tendência de melhoria no aprendizado esbarra em alguns desafios cotidianos. Um deles é o baixo índice de leitura, como acaba de revelar um outro levantamento da OCDE. Segundo a entidade, que mediu essa cognição nessa atividade, o envolvimento com textos atingiu seu nível mais baixo neste século, desde que as informações começaram a ser coletadas, em 2000. Essa é uma realidade que vem sendo constatada pelos professores em todo o território nacional e algo a ser coletivamente enfrentado para capacitar nossos alunos de hoje e a nossa população de amanhã.