Editorial

Um balanço insuficiente, mas indicativo de melhorias possíveis

O ano de 2024 foi o melhor da série histórica na redução das desigualdades sociais.

Pela Constituição federal, a erradicação da pobreza e da marginalização, bem como a redução das desigualdades sociais e regionais, é um objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, conforme expresso no seu artigo 3°. Isso evidencia que o poder público e a iniciativa privada devem consolidar sua atuação no país, buscando equacionar as disparidades socioeconômicas. Isso não tem sido tarefa fácil e essa incapacidade de propiciar uma vida digna para todos chega a gerar desinformações que comprometem a sustentação do regime democrático ao longo dos tempos.

Não obstante esse quadro em que se veem muitos déficits em relação ao que é preconizado pelo texto constitucional e nossa realidade, o fato é que tem havido alguns avanços, ainda que não no ritmo nem na intensidade que o bem-estar coletivo demanda. Mesmo assim, vale registrar tais fatos como uma amostra de que é possível fazer mais e melhor, entregando ao conjunto da população, notadamente para os mais carentes, uma gama de serviços em áreas fundamentais, como educação, saúde, saneamento, segurança pública, infraestrutura, mobilidade urbana, logística e geração de emprego e renda, entre outros. Tal desempenho atualmente tem uma medição por meio do índice de desenvolvimento humano (IDH), a cargo da Organização das Nações Unidas (ONU), no qual o Brasil tem ocupado posições nada edificantes. A informação relevante é que o país obteve, em 2024, os melhores resultados de renda, desigualdade e pobreza de toda a série histórica iniciada em 1995, segundo nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O levantamento foi divulgado nesta terça-feira, com base em dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As causas principais são programas de transferências de renda e o aquecimento do mercado laboral.

Sem dúvida, essa constatação sinaliza que há muito por fazer, mas que podemos ser otimistas com as perspectivas da nação. As oportunidades estão se desenhando como muito boas nos mercados interno e externo. Aumentar a produção, agregar valor aos nossos produtos, qualificar a mão de obra, apostar em pesquisa científica e industrial, entre outros pontos, podem fazer toda a diferença para que possamos ter uma sociedade mais estável e menos conflitada.