Depois de ter vivenciado a maior tragédia climática da sua história, quando cerca de 90% dos seus municípios foram atingidos pelas cheias, com sua economia sofrendo os efeitos dessa catástrofe, o Rio Grande do Sul encetou uma recuperação fantástica e atualmente mantém a quinta colocação entre as maiores economias do país, com previsão de crescimento entre 2% a 6% no seu PIB para o ano em curso. Todavia, alguns gargalos ainda entravam seu grande potencial de desenvolvimento e precisam ser enfrentados pelo poder público e pela iniciativa privada.
Um destes casos que chamam a atenção diz respeito à expansão da CMPC. O maior aporte da história do Estado, de R$ 27 bilhões, está ameaçado por pareceres legais de um órgão que diverge das autorizações já concedidas pelos órgãos ambientais do governo. Também o programa de concessões ameaça a logística necessária para armazenamento e escoamento da produção, já que as estradas gaúchas tiveram um edital deserto para a escolha de uma empresa gestora e agora correm o risco de abandono. Cabe à população escolher se quer ter estradas boas e seguras, arcando com esse custo, ou sucateadas, sem os encargos decorrentes da manutenção. Estados como Santa Catarina fizeram sua opção e hoje esse ente federado apresenta uma infraestrutura apropriada para se desenvolver economicamente. Cabe ressaltar que esse déficit operacional ocorre num momento em que a malha ferroviária gaúcha está sucateada e sem perspectivas de recuperação, bem como as hidrovias, que ainda não saíram do planejamento. Nem mesmo o desassoreamento, tão necessário para que este modal contribua para o deslocamento da produção até os pontos de embarque para o exterior e para outros pontos do país, está sendo levado a contento.
Nesse contexto de uma disputa acirrada por produzir mais e melhor, com a demanda de agregar valor aos nossos produtos, integrando os diversos segmentos econômicos numa cadeia eficiente e otimizada, urge que os empreendedores obtenham do poder público o cumprimento de suas atribuições no sentido de destravar óbices de monta em nosso ciclo produtivo. Às autoridades cabe impedir que a burocracia e o mau gerenciamento das oportunidades comprometam o futuro do RS.