Nas últimas décadas, a sociedade, com a expansão das novas tecnologias, tem se defrontado com dilemas até então desconhecidos. Muitos desses impasses vêm na esteira do advento da rede mundial de computadores, que trouxe muita inovação e, com ela, muitos delitos penais que surgem com o uso cotidiano dessa ferramenta. Alguns deles estão vinculados a assédios e abusos de crianças e adolescentes, condutas que vêm crescendo e preocupando as autoridades e a sociedade civil. Já são muitos os casos em que criminosos se valem de recursos digitais para explorar infantes ou mesmo induzi-los a ações delituosas contra si mesmos ou contra terceiros.
Esses ilícitos, por ocorrerem na Internet, prescindem de uma localização física para serem cometidos. Dessa forma, o rastreamento se torna uma questão mais complexa e que demanda maior articulação entre os órgãos de segurança dos entes federados e, devido a essa incidência extraterritorial, também um ponto a ser pautado nos fóruns e instâncias internacionais. Nesse sentido, vem em boa hora a informação de que os países-membros do Mercosul, bloco que reúne principalmente Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, aprovaram neste sábado uma declaração especial conjunta estabelecendo diretrizes comuns para a proteção da infância e adolescência em ambientes digitais. Isso se faz muito necessário diante de um contexto em que se verifica o aumento da incidência de crimes cibernéticos contra menores, a exemplo de assédio e intimidação, o cyberbullying, violação de privacidade e dados pessoais, abuso e exploração sexual e todas as formas de discriminação e violência, com incentivo à automutilação e suicídio, que são fomentados por tendências e desafios disseminados em ambientes virtuais.
Essa iniciativa do Mercosul precisa encontrar reflexos em outros blocos e entidades, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Europeia. Somente com uma firme disposição das diferentes nações será possível coibir essa violência, que pode ir além do espaço digital e descambar para atentados e tragédias provocadas por essas práticas que se realimentam da desinformação e da impunidade.