Editorial

Um contingente à espera de medidas efetivas por justiça social

A exclusão vista nas vias públicas do país é um fator de instabilidade no cotidiano.

O Brasil é um país rico, porém, apresenta uma concentração de renda que os estudiosos têm citado para explicar as imensas desigualdades sociais que se nos apresentam no cotidiano. Isso acaba sendo um fator que faz com que o exercício da cidadania encontre limites muito estreitos quando a situação envolve uma boa qualidade de vida, com acesso aos serviços públicos, como educação, saúde, saneamento, transporte coletivo, entre outros, e à possibilidade de desfrutar de lazer e de cultura no dia a dia, bem como a uma condição financeira mínima para se inserir nas relações de consumo e assim poder se prover do mínimo necessário para sua subsistência.

Infelizmente, nem todos os brasileiros conseguem ter sua dignidade humana minimamente preservada. Isso vale para o direito de ter um teto e uma moradia adequada para habitar, algo constitucionalmente previsto. A realidade é que milhares de pessoas perambulam pelas vias públicas das cidades, principalmente nas metrópoles, sujeitas a todo tipo de perigo, como violência física, e atiradas à própria sorte, inclusive sofrendo os rigores do inverno, quando os riscos à sobrevivência aumentam em maior intensidade. Segundo estimativas de entidades afeitas ao tema, temos atualmente cerca de 7.240 moradores de rua na Capital, 17.574 no Rio Grande do Sul e 388.855 em todo o território nacional, o que, percentualmente, desde 2021, representa um incremento de 253,5%, 142,5% e 145,8%, respectivamente. Se os totais já impressionam hoje, a tendência é que eles aumentem de forma gradativa e vertiginosa se nada for feito no curto, médio e longo prazos.

A tarefa de resgatar essas pessoas desse contexto tão degradante exige união de esforços entre os governantes das três esferas, iniciativa privada e sociedade civil. Urge colocar no orçamento a previsão para executar programas e projetos eficazes e eficientes. Enquanto houver um cidadão ou uma cidadã vivendo em um cenário tão adverso, ainda estaremos longe de ser uma coletividade inclusiva, acolhedora e exitosa.