Editorial

Um contingente vulnerável pelas ruas

Os moradores de rua estão sujeitos a todos os tipos de adversidades ao se estabelecerem em vias públicas, enfrentando os rigores do frio, a parca alimentação e a violência a que estão expostos nessa situação sensível.

Uma questão que cotidianamente nos mostra o quanto ainda precisamos avançar como sociedade diz respeito ao grande contingente de moradores de rua que temos em nossas urbes. São pessoas sujeitas a todos os tipos de adversidades ao se estabelecerem em vias públicas, enfrentando os rigores do frio, a parca alimentação e a violência a que estão expostos nessa situação sensível. Isso implica grandes desafios para toda a coletividade, que precisa estar atenta para enfrentar um tema candente que só faz assomar no cotidiano.

Segundo alguns levantamentos sobre esse segmento vulnerável, Porto Alegre tem em torno de 5.226 pessoas vivendo em situação de rua, conforme dados de fevereiro de 2025. Por sua vez, no Estado, esse montante chega a 14.829 adultos nessa condição, de acordo com aferição do Ministério Público. Os municípios com maior concentração são Pelotas, com 3.937; Caxias do Sul, com 1.497; Canoas, com 1.311; Gravataí, com 799; e Capão da Canoa, com 668. Em todo o Brasil, já são cerca de 345 mil pessoas vulnerabilizadas, mais que o dobro do total registrado em 2023. Trata-se de um número que ombreia com toda a população de Canoas, na região metropolitana da Capital, que tem 347.657 habitantes, segundo informações do Censo Demográfico de 2022 do IBGE, divulgado em 2023. Como se vê, trata-se de um problema que se alastra por todo o território nacional e que demanda políticas públicas coordenadas pelos entes federados nas três esferas: federal, estadual e municipal. Para tanto, há que reservar nos orçamentos valores para realizar investimentos em serviços importantes e necessários, como projetos que envolvam inclusão e propiciem atividades de educação e de lazer, bem como assistência de saúde e de ressocialização, inclusive com a retomada de laços afetivos com familiares e amigos.

Segundo os preceitos da nossa Constituição federal, entre outros pontos, devemos sempre, em nossas ações, nos nortear pelo princípio da dignidade humana. Isso implica agir em prol da cidadania de cada brasileiro, algo que, como nação, cabe-nos incentivar como um valor imensurável.