O episódio em que uma empresa do Rio de Janeiro maquiou e revendeu uma carga de cortes de carnes que ficaram submersos na enchente no Rio Grande do Sul mostra que o poder público tem que estar sempre atento para defender o bem-estar da população, principalmente naquilo que envolve a saúde coletiva. No caso em tela, uma empresa gaúcha vendeu de boa-fé, por R$ 80 mil, mais de 800 toneladas do produto impróprio para consumo humano. Esse montante acabou sendo maquiado pela compradora e revendido em todo o país, auferindo um lucro estimado em R$ 5 milhões. A fraude só foi descoberta porque parte dessa produção irregular veio parar no Estado e foi identificada pela vendedora inicial, que, imediatamente, procurou as autoridades policiais e denunciou o delito. Com isso, as autoridades fluminenses puderam adotar as providências cabíveis e o estabelecimento sofreu sanções cíveis e criminais, com buscas e apreensões e prisão dos responsáveis.
Essa ocorrência evidencia que é muito importante que os órgãos públicos que têm a atribuição de defender a coletividade estejam a postos para agir preventivamente. Isso vale para Procons, agências sanitárias, conselhos de fiscalização, entre outros. Afinal, é para isso que o contribuinte paga seus tributos, para que os entes federados lhe prestem o serviço necessário a fim de preservá-lo de perigos iminentes, notadamente nas relações de consumo. Para tanto, é imprescindível que a sociedade participe com subsídios que possam levar a operações de enfrentamento desses ilícitos através dos canais de comunicação disponibilizados para denúncias e informações.
Outra evidência deste acontecimento é que muitos criminosos acreditam que poderão ganhar dinheiro fácil e escapar do alcance da lei pela via da impunidade. Contudo, as forças policiais mantêm-se em alerta para realizar as ações devidas, mesmo quando o crime ultrapassa as fronteiras estaduais. Na situação referida, a interação entre as Polícias foi fundamental para a apuração dos fatos.