A infinidade de estelionatos que surgem todos os dias constitui um desafio para as autoridades, que se veem diante de muitos delitos para investigar, notadamente quando essas condutas se disseminam e geram uma grande quantidade de vítimas concomitantemente. Todavia, as forças policiais, cumprindo com sua missão, estão sempre na linha de frente das apurações, visando punir os culpados desses golpes, que diminuem o patrimônio de terceiros e geram dor e sofrimento na esfera psicológica. Cabe dizer que, se esse tipo de crime já era praticado com ênfase há muitas décadas, como no caso do conto do bilhete, ele foi potencializado pelo surgimento das novas tecnologias, que encurtam distâncias e, muitas vezes, nem requerem a proximidade física entre o delinquente e a pessoa enganada.
O estelionato é um crime patrimonial que consiste em enganar alguém, mediante fraude, artifício ou ardil, para obter vantagem ilícita e causar prejuízo financeiro a outrem. Também é conhecido popularmente como “golpe" e ocorre quando o lesado é induzido ao erro por vontade própria, a qual é distorcida naquele momento para parecer que há um mínimo de vantagem na prática do ato tipificado. O verdadeiro intento do estelionatário é disfarçado para parecer que corresponde a um interesse de quem está sendo alvo da trapaça. Como citamos, esses ilícitos podem ser praticados na presença dos participantes ou mesmo à distância. O golpe do falso aluguel de temporada, por exemplo, é perpetrado de modo remoto e o inquilino só descobre a verdade quando chega para ocupar o imóvel. Já o golpe da falsa entrega é praticado presencialmente para trocar o cartão de crédito do cliente por um outro sem valor ao solicitar o pagamento de uma taxa. Por sua vez, o golpe dos falsos investimentos pode ser tanto presencial como remoto, uma vez que a pirâmide financeira pode envolver pessoas diretamente ligadas ao golpista e outros que entram na corrente de forma on-line.
Essa modalidade dos falsos investimentos, com promessa de ganhos financeiros irreais ou retornos garantidos em esquemas fraudulentos, está na mira da Polícia Civil do RS. Exemplo é a Operação Mercenarius, conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, tendo como alvo o responsável por esquema de estelionato que teria captado mais de R$ 1,1 milhão de, pelo menos, 20 vítimas, além de responder por ameaças dirigidas a vítimas e a seus familiares, inclusive contra um menor de idade. Os criminosos são atuantes, mas as autoridades estão sempre vigilantes e a impunidade não vigerá.