Editorial

Os locais de prática de diversos esportes, com realce para o futebol, costumam ter a afluência de milhares de pessoas a cada evento, o que evidencia que tais disputas, pela reunião de um grande contingente de pessoas, constituem um espaço importante para que se disseminem informações e campanhas de esclarecimentos em causas relevantes. Pelo volume de público, trata-se de uma possibilidade de dialogar amplamente com diversos segmentos da sociedade.

Há que se ver, inclusive, meios de transformar situações indesejadas em exemplos abonadores. Até pouco tempo atrás, era comum ver as torcidas das agremiações de futebol com manifestações racistas, ainda que circunscritas a alguns grupos. Atualmente, graças a esforços institucionais e coletivos, há cada vez mais uma conscientização de que isso é um delito que não pode ser cometido sem que haja a devida punição. Em função disso e de um enorme impulso de conscientização, esse tipo de ocorrência está cada vez menos frequente, o que não deve arrefecer as investidas dos clubes e das forças de segurança em prol da erradicação desse tipo de conduta. Além do enfrentamento da discriminação racial, as torcidas podem ser um excelente público-alvo para outros pontos, como o incentivo à doação de sangue, inclusive com participação de atletas e ídolos para estimular os torcedores a fazer o mesmo; o enfrentamento ao machismo e ao etarismo, com veiculação de mensagens educativas durante jogos e transmissões reforçando valores de respeito e inclusão; e a defesa da infância, com parcerias com escolas e ONGs para transformar partidas em momentos de valorização da proteção e dos direitos dos infantes.

O esporte tem um imenso potencial de estabelecer ligações com outras áreas, como lazer, cultura e ciência. Dessa forma, ele é uma ferramenta fundamental para que a sociedade evolua nas suas dinâmicas conceituais, gerando novas concepções sobre coisas que até recentemente eram aceitas como normais, algo que pode ser ilustrado com os casos de violência doméstica, que hoje envolve todo o entorno da mulher. Esses avanços precisam ser estimulados e as equipes e seus apoiadores podem fazer toda a diferença em prol do bem comum.