Editorial

Um levantamento acerca da maior tragédia da nossa história

É muito importante que as obras de prevenção de enchentes no RS sejam finalizadas.

A enchente de 2024 no RS, sucedendo as cheias de 2023, deixou um rastro de destruição e de danos de toda a ordem, incluindo perda de vidas, reveses patrimoniais, desestruturação da economia, deterioração da infraestrutura do Estado, entre outros pontos. Não é à toa que tivemos a maior elevação do nível do Guaíba da história, com Porto Alegre sendo duramente atingida. Outras cidades também foram alvo dessa tragédia, como várias localizadas no Vale do Taquari, que tiveram seu território devastado.

Diante de todo esse cenário adverso, as questões que pulsam se referem ao encaminhamento de medidas que possam mitigar as consequências danosas e realizar a prevenção cabível em relação a futuras ocorrências graves. Nesse sentido, mapear o que aconteceu é fundamental para entender o fenômeno e sua extensão. Isso é fundamental para nortear as políticas públicas e privadas que podem ser adotadas para realizar a contenção das inundações. Dessa forma, torna-se muito importante o levantamento realizado pelo IBGE. O trabalho, denominado Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), foi divulgado nesta quarta-feira. De acordo com esse diagnóstico, que traz muitas variáveis para serem analisadas de maneira percuciente, as enchentes incidiram sobre 6.333.727 moradores no RS. Nas áreas que sofreram mais impactos, o número estimado de residências e domicílios avariados chegou a 2.328.093. Considerando-se que a população do Estado atualmente está em 11,2 milhões de habitantes, pode-se ter uma ideia mais precisa da gravidade desse evento trágico que nos atingiu com uma intensidade jamais vista.

Como se sabe, 90% dos municípios gaúchos sofreram com o extravasamento das águas. Essa nova “normalidade” constitui uma inquietação que acompanha os gaúchos todos os dias, porque a possibilidade de repetição desses fatos é um mau presságio que paira entre nós. Cabe aos governantes realizar as obras de contenção, otimizar casas de bombas, fazer as intervenções para que os volumes excedentes nos cursos de água sejam absorvidos em espaços especificamente criados para isso e planejar a ocupação do solo urbano fora das áreas de risco. O estudo do IBGE deve servir de subsídios para que as iniciativas de prevenção sejam colocadas em prática e finalizadas com celeridade.