O mês de maio traz consigo campanhas relevantes de saúde pública. Três delas são o Maio Laranja, que enfoca o combate ao abuso e à exploração sexual infantil no país; o Maio Vermelho, que alerta sobre a importância da prevenção e do controle das hepatites virais e combate ao câncer bucal; e o Maio Amarelo, que coloca o foco na necessidade de conscientização para reduzir o total de acidentes de trânsito nas vias do território nacional. Em relação ao Maio Amarelo, o fato é que ele se reveste de urgências que precisam ser efetivadas como forma de prevenção em relação a vidas e à integridade física e psicológica de tantas e tantas pessoas que são vítimas todos os anos nessa verdadeira guerra surda e cotidiana travada nas estradas brasileiras.
A instituição do mês dedicado à questão dos acidentes com veículos surgiu a partir de uma proposta, em 2014, do Observatório Nacional de Segurança Viária, tornando-se uma efeméride oficial e disseminada pelo mundo todo. Os dados da relevância desse tema falam por si. Em 2025, o Brasil registrou cerca de 453 mil ocorrências, com 7,4 mil óbitos apenas entre janeiro e maio, bem como centenas de milhares de feridos e de sequelados. O custo social dessas tragédias é estimado em R$ 50 a 60 bilhões por ano, impactando diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS) e a economia nacional, além de deixar um rastro de dor no âmbito familiar dos vitimados, seja pela perda em si, seja pela assistência a ser prestada para quem foi alvo desses eventos trágicos. É comum que esses cidadãos e cidadãs atingidos nunca mais recuperem a capacidade motora de antes e muitos deles passam a depender de benefícios sociais precoces para sobreviver, onerando o orçamento público.
Em relação a esse panorama adverso, é preciso estudar medidas para serem implementadas, como rigorosa fiscalização das condições dos veículos e da velocidade empreendida, a par de iniciativas de maior fôlego, a exemplo da retomada do uso das ferrovias como forma de desafogar a malha rodoviária, que está pressionada pelo grande número de veículos, inclusive os de carga. Os milhares de vidas impactadas pela má logística do trânsito são um indicador de que as coisas nessa área não podem ficar como estão.