A saúde coletiva, com sua universalidade, acesso não oneroso e qualidade nos serviços, é um compromisso do poder público e, no Brasil, por força e obra do disposto na Constituição federal de 1988, vem sendo bem representada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), uma estrutura tripartite que envolve os entes federados, União, estados e municípios. Apesar de muitos problemas encontrados para dar conta de suas atribuições, não raro por razões que dizem respeito a um orçamento sujeito a restrições, o fato é que o SUS se tornou uma referência positiva para a população, inclusive sendo paradigma em nível mundial acerca do seu funcionamento público e gratuito.
Além dos seus imensuráveis procedimentos disponibilizados aos seus usuários, o SUS se caracteriza por ter uma aposta pesada na prevenção, como no caso da imunização em massa, obtendo êxitos históricos a ponto de erradicar certas doenças de reconhecida letalidade. Nesse sentido, já estão bem sedimentadas as campanhas anuais que são promovidas em função de determinadas enfermidades com base nos meses do ano, com algumas delas sendo coroadas por completo sucesso, como é o caso do Outubro Rosa, dedicado à luta contra o câncer de mama, ou o Novembro Azul, que assinala o enfrentamento com o câncer de próstata. Agora que adentramos 2025, já estamos no mês voltado para a conscientização e promoção da saúde mental, o Janeiro Branco. Trata-se de um ciclo destinado a chamar a atenção para a importância de se atingir a estabilização emocional no cotidiano, com relacionamentos saudáveis e com busca de ajuda para enfrentar distúrbios como ansiedade, depressão e estresse. No Rio Grande do Sul, diante das tragédias pessoais e coletivas que se abateram sobre grande parte dos gaúchos, esse monitoramento se torna ainda mais estratégico e necessário.
A sociedade como um todo e as autoridades devem estar atentas para responder às necessidades sensíveis daqueles que se encontram com seu bem-estar mental ameaçado. O novo ano já começa com um alerta que não pode ser negligenciado.