Pelas suas dimensões continentais, todas as questões envolvendo adversidades para o país costumam ser de monta e de resolução complexa. Nisso se incluem as demandas dos diversos segmentos que compõem nossa população, como mulheres, negros, idosos, crianças e adolescentes e minorias. A vulnerabilidade deles implica a necessidade da elaboração e da implementação de políticas públicas de viés protetivo como forma de preservar a dignidade humana e o exercício de seus direitos básicos.
Entre esses grupos hipossuficientes, estão, por certo, os moradores de rua. De acordo com levantamentos recentes, esse total cresceu significativamente nos últimos anos. Em Porto Alegre, estima-se que existam cerca de 7.000 a 7.240 pessoas nessa situação. No RS, o total chega a 17.574 e, no Brasil, o montante fica entre 365.000 e 389.000 pessoas. São brasileiros e brasileiras expostos a toda sorte de ocorrências, de abusos, de insegurança alimentar, de higiene precária e, nesta época do ano, aos rigores do inverno, que acaba sendo um algoz para a saúde já fragilizada desta população, com parcela dela não resistindo ao frio e morrendo por conta disso e de doenças respiratórias próprias desta estação do ano. A sociedade civil e os diferentes governos não podem ficar indiferentes a este cenário de dor e de exclusão, devendo atuar para criar meios de suporte para um mínimo de acolhimento e de assistência para aqueles que vão vivendo seu dia a dia à margem da coletividade, sendo praticamente invisíveis nas suas desditas intrínsecas.
Diante deste quadro, vem em boa hora a informação de que o governo federal vai executar um programa voltado para esta fatia demográfica tão carente de tudo. A iniciativa envolve um aporte de R$ 130 milhões em ações que serão atribuídas a vários ministérios, sendo a coordenação uma tarefa da pasta do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O foco do projeto está em saúde, emprego, assistência e direitos humanos. Haverá a articulação com outros entes federados a fim de dar andamento imediato às medidas previstas, o que as torna amplas e abrangentes. Espera-se que os resultados sejam efetivos, porque as ruas não podem ser lugar de moradores, apenas de passagem de quem tem um lar para chamar de seu, efetivando o direito constitucional a uma moradia digna e segura.