A cultura de agressão às mulheres continua muito sedimentada no RS e no Brasil e demanda iniciativas céleres e efetivas por parte das autoridades e da sociedade civil. A realidade continua gravíssima e as medidas precisam ser tomadas com a presteza que o cenário requer. Todos os dias, registram-se agressões físicas e psicológicas, assédios de diversos tipos, condutas misóginas, preconceitos, feminicídios e outros atos discriminatórios que não podem mais ser admitidos nem tolerados, sendo necessário erradicar uma cultura machista que está na base de muitos crimes cometidos contra as gaúchas e as brasileiras.
Nesse cenário adverso, que exige uma pronta intervenção das autoridades, vem em boa hora a informação de novas normas emanadas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, que vêm aumentar o arsenal jurídico no combate à violência contra a mulher. Além da criação do Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres, que vai ao Senado, foi aprovado o aumento do potencial de divulgação do canal de denúncias, que segue para sanção presidencial. Em relação ao primeiro item, a proposição, que segue para o Senado, prevê ampliar o enfrentamento à violência contra meninas e mulheres e fortalecer a rede de proteção e de atendimento. A ideia é priorizar situações em que o risco de feminicídio seja iminente. O pacto visa uma atuação coordenada e permanente entre os Três Poderes com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres. A proposta autoriza a União a destinar até R$ 5 bilhões, distribuídos entre os anos de 2026, 2027 e 2028. A verba deverá subsidiar ações e fortalecimento da política de proteção. A destinação de recursos deve ocorrer no âmbito do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado em fevereiro deste ano. A par disso, foi decidida a divulgação em larga escala do número 180, destinado a denúncias de casos de violência contra a mulher, que permite o envio de informações sem identificação do denunciante.
Essa luta contra essa verdadeira tragédia social que ceifa vidas e destinos não poderá ser vencida sem o engajamento da coletividade. Empresas, sindicatos, comunidades, órgãos de classes, escolas, governantes, todos precisam estar unidos para fazer frente a esta verdadeira chaga que enluta os clãs familiares e retira de forma covarde o direito a uma existência profícua e feliz por parte das mulheres vitimadas.