Editorial

Um panorama a ser mudado em relação ao meio ambiente no país

A preservação dos biomas é essencial para evitar graves tragédias climáticas.

Por tudo o que vem ocorrendo de sinistros naturais nos últimos tempos, definitivamente as questões climáticas entraram no radar da população, que está atenta para o que os governantes podem e devem fazer para evitar que novas tragédias se repitam no Rio Grande do Sul e no país. É por isso que tudo o que foi verificado como insuficiente, a exemplo de obras preventivas ou funcionamento de casas de bombas, precisa ser realizado de forma cabal para atender às demandas da coletividade, que permanece apreensiva e em busca de respostas que a tranquilizem quanto aos riscos iminentes de novos acontecimentos.

Nesse contexto de tragédias e de desequilíbrio ambiental, assume um papel preponderante a questão da preservação dos biomas do país, cada vez mais ameaçados. Relatos e levantamentos indicam que todos enfrentam problemas de degradação pela ação humana. É o que vemos com a Floresta Amazônica, pulmão do mundo, que tem tido sua área reduzida de maneira drástica, ainda que com um recuo nesse ritmo na última década. Igualmente ameaçado é o Cerrado, o bioma mais desmatado do país, que perde espaço e, com isso, sua diversidade. Não é muito diferente com a Caatinga, único bioma genuinamente brasileiro, que tem sido atingido em sua integridade e no seu papel de auxiliar contra o recrudescimento das estiagens. Nesse rol, o Pantanal, alvo constante de incêndios que se suspeitam como criminosos ou provocados por fenômenos como El Niño, vê seu arcabouço ecológico enfrentar graves perdas periodicamente, além da Mata Atlântica, tão fortemente devastada que hoje temos 24% da sua cobertura original, restando o desafio de parar esse processo de deterioração e apostar num heroico reflorestamento. Por fim, temos o nosso bioma, o do Pampa, situado nesta região meridional do Brasil, com perdas de cerca de 40% do seu território original, causando danos irreversíveis para a fauna e a flora.

Toda essa radiografia dos ecossistemas mostra que é mais do que necessário reencetar nossas ações como nação para que não sejamos nós mesmos cúmplices de catástrofes geradas por imprudência e negligência humanas. O clima é um somatório de variáveis que podem se articular ao natural ou ser o resultado de interferências indevidas e impróprias, criando um nexo causal por conta de condutas indevidas e impróprias. Talvez ainda haja tempo de salvaguardar fatores essenciais de prevenção, mas é preciso coragem e investimentos para transformar isso em realidade no cotidiano.