Editorial

Este período do ano é bastante crítico em relação aos estoques de sangue dos hemocentros e hospitais, seja por causa do veraneio, seja por causa do Carnaval. São épocas marcadas pelo aumento da demanda e pela diminuição dos volumes coletados, o que gera uma equação difícil de chegar a bom termo, fazendo com que as autoridades e as entidades promovam campanhas para aumentar o número de doadores. Trata-se de uma providência que sempre é decisiva para salvar vidas e que, portanto, não pode ficar a descoberto, uma vez que o peso da prevenção nestes casos é grande e pode fazer toda a diferença.

Tradicionalmente, no início de um novo ciclo, com as festas, as viagens, os deslocamentos populacionais, as unidades coletoras e provedoras de sangue costumam ter menos procura. E essa substância é fundamental para assistir pacientes com cirurgias de grande porte, como as cardíacas, ortopédicas e transplantes; com tratamento de pacientes com câncer e leucemia, os quais necessitam de plaquetas e hemácias; para as vítimas de acidentes e queimaduras; bem como para o tratamento de doenças crônicas, como anemia falciforme e talassemia. Os benefícios são evidentes para os receptores, como a recuperação da capacidade de transporte de oxigênio, a reposição de plaquetas para evitar hemorragias e a melhora imediata em casos críticos. Para quem doa, também há vantagens as mais expressivas, como exames gratuitos por meio de uma triagem clínica e laboratorial, com informações sobre sua saúde; bem-estar psicológico pela sensação de solidariedade e de ser útil para outras pessoas; e incentivo à cidadania, pois a doação fortalece o senso de pertencimento a uma comunidade e fomenta a responsabilidade social.

A doação de sangue se encaixa perfeitamente naquela máxima de fazer o bem sem olhar a quem. Aquele que faz esse gesto solidário demonstra um grau elevado de empatia. Doa-se por generosidade. Paradoxalmente, quem assim o procede um dia pode precisar, seja para si, seja para seus entes queridos. E terá a consciência tranquila de ter feito a sua parte em prol da coletividade.