Editorial

Um período para cultuar nossa história e nossa cultura gaúcha

Em diversos eventos no Estado e alhures, a tradição dos gaúchos estará em evidência.

A partir desta semana, intensificam-se na Capital, na região metropolitana, no interior do Estado, em outras unidades da federação e até mesmo no exterior as comemorações pela passagem da data magna dos gaúchos, o 20 de setembro. Esse dia marca o início da Revolução Farroupilha, com a invasão de Porto Alegre, pelas tropas vindas de Guaíba em 1835. Também é um marco a proclamação da República Rio-Grandense pelo general Antônio de Souza Netto há 190 anos, no dia 11 de setembro de 1836. nos campos do Seival, então terras de Bagé. A guerra durou quase uma década e mostrou a firmeza e o idealismo do povo gaúcho. A contenda terminou com um armistício honroso, em que muitas das reivindicações dos revoltosos foram atendidas pelo Império.

Desde então, esse decênio heroico passou a ser um marco no calendário da população do Sul e alhures. Os feitos são registrados em prosa e verso, encenados, cantados nas canções e alvo de estudos nos livros e na literatura, com exposições e eventos diversos, como é o caso dos acampamentos farroupilhas, que se disseminam por todo o território do RS e além-fronteiras. Também há os desfiles, que mostram cavalheiros e damas pilchados, com seus cavalos e apetrechos, por vezes carretas, que passam pelas avenidas, enchendo de orgulho os espectadores. Ouvem-se cantorias, o cheiro de churrasco ou de um carreteiro típico se espalha pelos ares e os bailes invadem as madrugadas, evocando alegrias sãs e um embevecimento por fazer parte de uma história quase bicentenária. Causos são contados pelos galpões em rodas de chimarrão e não faltam relatos de bravura sobre aqueles homens e mulheres que um dia sonharam com um regime de governo mais avançado para sua época. Foi quando tivemos uma República no pampa, em sintonia com os ideais revolucionários e de vanguarda naquele período histórico.

Nestes dias que se seguem, nossas façanhas estarão sendo contadas e recontadas. E servirão de modelos a outras terras. Ser gaúcho é ter um legado para honrar, preparando-nos para os desafios futuros com a experiência acumulada de um passado que nos engrandece a cada dia, firmando nossa identidade no tabuleiro da nacionalidade.