Editorial

Um plano de educação que pode fazer a diferença nesse setor

Espera-se que o novo PNE possa superar o de 2014 no cumprimento de metas.

A educação está sempre no discurso dos governantes, bem como dos candidatos aos cargos públicos. Contudo, essa prioridade não se mostra em termos de efetivação daquilo que se prega e o que se vê é o país em colocações constrangedoras quando se fazem cotejos com outras nações, a exemplo de avaliações aplicadas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Ilustra bem essa realidade a constatação de que o Brasil ocupa a 132ª posição mundial em escolaridade, indicando um desempenho inferior ao ranking geral de desenvolvimento humano.

Esse cenário não é fortuito. Vimos de um Plano Nacional de Educação (PNE) que entrou em vigor em 2014, com duração prevista até 2024. O fato é que, de suas 20 metas, poucas foram atingidas, como a meta 13, do aumento de mestres e doutores no ensino superior; algumas tiveram êxito parcial, como a meta 4, da expansão do acesso à educação básica para pessoas com deficiência entre quatro e 17 anos; e a maioria delas restou inalcançada, como a ampliação das creches e o aumento do percentual do PIB investido no setor. Essa verificação não deve deslustrar o fato de que é importante trabalhar com objetivos claros e exequíveis, sendo que esse entendimento deve estar na base do novo PNE, que foi sancionado pelo presidente Lula nessa terça-feira. O PNE que está sendo substituído, embora não suficiente nos seus resultados, ajudou a conformar um panorama melhor do que aquele de quando passou a vigorar. A expectativa é que a nova norma possa se traduzir em melhores indicadores, contribuindo para uma situação educacional mais qualitativa num segmento estratégico para o desenvolvimento socioeconômico da nação. Precisamos formar pessoas mais bem preparadas para atuar nos mais diversos contextos, envolvendo ciência, indústria, infraestrutura, logística, varejo, produção agropastoril, entre outros ramos.

É legítimo conjecturar que o novo PNE, com metas ainda mais ousadas, seja considerado uma política pública de longo prazo, superando interrupções deste ou daquele eleito, até porque emana do Congresso Nacional. Que se preservem os avanços obtidos e que se encaminhem os procedimentos necessários para que o país tenha uma educação à altura dos seus desafios.