Editorial

Datas voltadas para determinados tópicos nos calendários mundiais podem ser importantes para que os governantes e as instituições nacionais e internacionais possam se mobilizar para promover causas meritórias que favoreçam segmentos mais vulneráveis da população ou para promover ações que visem a melhorias reais nos níveis de civilidade, buscando maior coesão social, pacificação mais efetiva e elevação do patamar de bem-estar da coletividade. Uma dessas efemérides é o Dia Mundial da Justiça Social, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e comemorado anualmente em 20 de fevereiro.

Este registro é importante porque temos um mundo com muitos conflitos, vários bélicos, e incontáveis disparidades socioeconômicas. Existem milhões de pessoas na pobreza, com um grande volume delas enfrentando doenças, insegurança alimentar, violência externa e doméstica, frio e calor extremo, entre outras chagas. Diante desse panorama, a ONU faz um chamado para todas as nações, notadamente as mais desenvolvidas, para que reconheçam na justiça social um pilar fundamental para a paz, prosperidade e desenvolvimento sustentável. A data tem como norte impulsionar a luta pela erradicação da pobreza, promover emprego pleno e trabalho decente, garantir a igualdade entre os diversos segmentos populacionais e assegurar acesso universal ao bem comum e à justiça, com estabilidade e resolução de demandas pendentes. O fio condutor da campanha deste ano é “Proteção Social e Trabalho Decente para Todos”, com foco em iniciativas que fortaleçam os sistemas de proteção social, os direitos básicos dos trabalhadores e os serviços públicos de teor inclusivo. Trata-se de um olhar com maior empatia para os estamentos coletivos mais vulneráveis, que costumam estar envolvidos por uma invisibilidade que corrói suas reivindicações.

Não há que se deslembrar de que não podemos ter democracias estáveis com milhões de pessoas expostas a uma cruel desigualdade de renda e de oportunidades. O futuro do planeta passa por termos um mínimo de dignidade para todos. Isso implica propiciar a um enorme contingente de homens e de mulheres serviços básicos para que eles possam ter qualidade de vida, algo que ainda está indisponível para uma grande parcela populacional.