Editorial

Um relevante precedente na busca de maior proteção aos animais

A condenação de um tutor omisso por maus-tratos à égua Ventania é bom sinal.

Cada vez mais vai se firmando um entendimento na sociedade de que os animais não podem mais ser considerados como objetos ou mero patrimônio pessoal. Eles são sujeitos de direito e assim devem ser tratados, com respeito, empatia e afetividade. Paulatinamente, acompanhando os costumes, a legislação vai sendo aperfeiçoada, visando a garantir mais proteção a esses seres indefesos, cuja maior ambição é a de ser tratado com carinho. Exemplo dessa evolução legislativa é a Lei 9.605/98, reconhecida como a Lei de Crimes Ambientais, que estabelece as sanções penais e administrativas para condutas e atividades lesivas ao meio ambiente no Brasil, aí incluídas a fauna e a flora.

Nessa senda da mudança de mentalidade, serve como exemplo solar o caso ocorrido no interior do RS. A juíza Eugênia Amábilis Gregorius, da 1ª Vara Cível da Comarca de Caxias do Sul, condenou o tutor da égua Ventania ao pagamento de indenização por danos materiais e morais em razão dos maus-tratos infligidos ao animal. A ação foi impetrada pelo Instituto Patinhas, que deverá receber os valores para serem empregados no seu mister de entidade de proteção animal. A associação realizou o resgate da égua após receber denúncias sobre as condições degradantes do local onde ela se encontrava. Infelizmente, o ferimento, que surgiu num acidente, evoluiu por negligência e Ventania teve que ser sacrificada, após uma avaliação de sua condição. Na sentença, a julgadora fixou que os animais são protegidos por vários dispositivos legais, citando a Constituição federal e fontes internacionais para embasar seu posicionamento diante de um tema tão atual, candente e sensível. É muito importante que se forme uma jurisprudência embasada nos tribunais para ser seguida e que os que praticam maus-tratos aos animais não fiquem impunes e respondam nas esferas cível e penal.

Essa condenação é emblemática e sinaliza que a coletividade está muito mais consciente sobre seu papel protetivo em relação aos bichos. Para tanto, é preciso humanizar-se cada vez mais para perceber a necessidade de intervir para encerrar um ciclo de violência que não pode mais ser tolerado nem permitido.