Quando um setor da economia cresce, todas as suas ramificações são com isso beneficiadas e o ciclo positivo se instala para além de sua expansão. Vamos supor que o varejo apresente um maior número de vendas, é evidente que seus fornecedores também vão vender mais e, por consequência, vão acionar aqueles que lhes fornecem a matéria-prima, que, por sua vez, vão também gerar mais empregos e mais renda para seus trabalhadores e supridores. Esse tipo de fenômeno está ocorrendo com a construção civil. De acordo com informações da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), essa indústria teve um crescimento de 4,1% em 2024. Para o ano de 2025, a previsão de alta se mantém e a expectativa é que seja de 2,3%. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira através do relatório Desempenho da Construção Civil em 2024 e Perspectivas para 2025.
Segundo a CBIC, esse bom resultado tem como causas o aquecimento do mercado imobiliário pela retomada de obras do Programa Minha Casa, Minha Vida, obras em função do ano eleitoral, aquecimento do mercado de trabalho e uma melhoria na realidade econômica do país. O relatório identifica a elevação nos percentuais de contratação de mão de obra, com a criação de 230 mil novas vagas formais entre janeiro e outubro de 2024, com incidência na formalização de jovens entre 18 anos e 29 anos, representando 52% das novas admissões. Além disso, o salário médio inicial é de R$ 2.335,69, sendo acima da média nacional e aparecendo em segundo lugar entre todos os setores da economia. Mais uma vez se confirma que iniciantes e trabalhadores de pouca instrução formal podem encontrar nessa área um espaço para exercer um ofício e, assim, garantir sua sobrevivência. Além disso, toda a rede de entorno, que vende produtos como vidros, madeira, cimento, eletrodomésticos, também tem ganhos.
O Brasil tem um déficit de seis milhões de moradias. O mercado da construção tem um papel a cumprir nessa busca por melhores condições de vida para as famílias brasileiras.