Editorial

Um segmento que merece toda a consideração e proteção social

A valorização da chamada terceira idade mostra o nosso grau de urbanidade.

Um país se mede pelo grau de civilidade com seus segmentos mais vulneráveis, como crianças, adolescentes, mulheres, negros, povos indígenas e idosos, entre outros. Somente quando eles recebem a atenção e a valorização devidas se pode dizer que vivemos numa democracia de fato e que a cidadania não é um conceito vazio, mas uma concepção que se incorpora ao dia a dia das pessoas e faz parte da existência socialmente partilhada. Nesse painel de estratos referidos, os integrantes da chamada terceira idade ocupam um lugar especial por conta de suas especificidades, que demandam uma atenção especial do poder público e da coletividade.

Nesta segunda-feira, registrou-se a passagem do Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. Trata-se de uma data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), como forma de estimular governos locais, instituições e a sociedade civil a promoverem ações de proteção e prevenção. A situação dessa camada social está associada a muitos fatores adversos, que vão desde questões de saúde à integração ao meio em que convivem. Os idosos representam hoje cerca de 16,6% da população brasileira, totalizando mais de 35 milhões de pessoas, e enfrentam desafios crescentes ligados à saúde, solidão, violência doméstica e golpes virtuais. O contingente está em rápida expansão, exigindo maior investimento em políticas públicas e assistência direcionada. Neste sentido, vem em boa hora a informação do governo federal de que o Brasil terá uma Rede de Proteção aos Direitos da Pessoa Idosa, que será integrada pela União, estados e municípios, que atuarão juntos para ampliar as medidas protetivas e as iniciativas tendentes a incentivar o bem-estar físico e psicológico desta fatia geracional. Sem dúvida, é preciso realizar investimentos e combater preconceitos arraigados que isolam nossos idosos e afetam sua qualidade de vida.

Esta proposição do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania é meritória. É muito importante assegurar o acesso a direitos, com base nos princípios da equidade, da não discriminação e do respeito à diversidade nas etapas de envelhecimento. Eis uma fase imperiosa da nossa trajetória, que é preciso ser vivida com sabedoria e contando com a empatia de todos os que circulam no entorno desses valorosos brasileiros e brasileiras da faixa etária mais provecta.