Entre muitos temas cogitados pelos candidatos e professores envolvidos com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a questão da terceira idade acabou sendo o assunto demandado na redação cujo mote foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. A proposta fez um convite para que os examinandos refletissem sobre os desafios e as demandas relacionados ao avanço etário da população no Brasil. O cenário é propício para o debate acerca das interações entre os estratos geracionais do país.
Os números indicam que a população brasileira está envelhecendo rapidamente. De acordo com o Censo 2022, o contingente de idosos, de 60 anos ou mais, quase duplicou entre 2000 e 2023, pulando de 15,2 milhões para 33 milhões de pessoas. Isso representa um incremento de 57,4% em 12 anos nesse segmento. No mesmo ano desse levantamento censitário, o índice de envelhecimento, comparando-se o montante de pessoas idosas para cada 100 crianças de zero a 14 anos, era de 80,0, contra 44,8 em 2010. Isso fez com que a idade média no país passasse de 29 anos em 2010 para 35 anos em 2022, com uma projeção de 48,4 anos para 2070. Nesse contexto, faz-se cada vez mais necessário o envolvimento dos entes federados, cada um na sua respectiva área de atribuições, na elaboração de políticas públicas que permitam o acesso a serviços básicos de saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, segurança, lazer, esporte e inclusão, entre outros. Tais ações devem contar com a participação da sociedade civil e dos conselhos municipais, estaduais e federais formados por integrantes dos governos e da coletividade, articulados para combater o chamado etarismo, que é o preconceito ou discriminação baseada na idade, geralmente voltado para um segmento mais maduro.
Para uma nação que, progressivamente, vai vendo seus cidadãos ficarem mais provectos, há que se criar uma cultura comum que valorize a experiência e a maturidade. Os preconceitos atentam contra a dignidade humana e devem ser severamente combatidos.