Existe um trabalho fundamental para o equilíbrio social na coletividade e nem sempre ele recebe a atenção adequada, permanecendo na invisibilidade para a maioria das pessoas. Trata-se do trabalho de cuidado, remunerado ou não, que é indispensável para a sustentabilidade da economia e da sociedade. Nesse contexto, exsurge a necessidade de valorizar o papel fundamental desse labor, majoritariamente realizado pelas mulheres nos lares domésticos sem a devida remuneração e reconhecimento. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), elas respondem por 76,2% de todo esse labor não pago no mundo , o que corresponde a cerca de 3,2 vezes mais tempo do que os homens nessas tarefas.
De acordo com um recente relatório de políticas da ONU Mulheres e do Grupo Banco Mundial, 66 de 190 economias nacionais não oferecem qualquer direito legal a licença remunerada para os pais. Entre as que as contemplam, metade deles concede menos de duas semanas. Ampliar a licença parental remunerada para os homens e o acesso a serviços de cuidado infantil de qualidade e a preços acessíveis é essencial para mudar esse cenário. Também estão inseridos nesse rol os idosos, que demandam suportes especiais por conta de sua condição física e de mobilidade pessoal, além das pessoas com deficiências, um montante que hoje gira em torno de 14 milhões de pessoas no país. Esse setor tem potencial, conforme estudos da Organização do Trabalho (OIT), de injetar cerca de 11 trilhões de dólares por ano na economia global. É por isso que é preciso haver uma regulamentação que garanta políticas públicas de assistência, contemplando profissionais e demais indivíduos que laboram nessa área sem receber a contrapartida financeira pelos serviços prestados.
Essa temática é tão importante que a ONU, em assembleia geral realizada em julho de 2023, instituiu o Dia Internacional do Cuidado e Apoio, com transcurso em 29 de outubro. Quem cuida hoje pode precisar de cuidados amanhã. A par disso, as estruturas de governo também precisam estar a postos para dar o aval de que os mais vulneráveis terão sua dignidade respeitada em qualquer fase de suas vidas.