Uma ameaça ronda o mundo, ainda que tenhamos a possibilidade real de contê-la caso haja ações efetivas por parte das nações desenvolvidas, com a colaboração de todos os países em desenvolvimento. Trata-se do advento do vírus Ebola, que tem feito vítimas, boa parte delas fatais, em países do continente africano, como a República Democrática do Congo e Uganda. Sua taxa de letalidade gira em torno de 50% dos acometidos e somente esse percentual já é capaz de chamar a atenção das autoridades sanitárias sobre a importância de se conter a disseminação dessa enfermidade, haja vista que as mortes, que hoje se contam às centenas, podem extravasar as previsões e se transformar num problema de grandes proporções.
A propagação do Ebola ocorre basicamente por uma transmissão a partir de morcegos frugívoros, que são considerados reservatórios naturais e mantêm o ciclo de expansão, além do contato entre pessoas, principalmente a partir do contato com sangue, suor, saliva, vômito, urina, fezes, sêmen ou objetos contaminados. Diferentemente de doenças respiratórias, o vírus não é transmitido pelo ar. Seus sintomas iniciais abrangem febre alta, dor de cabeça, fadiga e dores musculares. Com a evolução da doença, surgem vômitos, diarreia e dor abdominal. Em casos mais graves, ocorrem hemorragias internas e externas, falência de órgãos e choque, levando com frequência ao óbito. Não obstante a Organização Mundial da Saúde (OMS) considerar baixo o risco de pandemia, surtos regionais representam sempre uma ameaça significativa. A globalização e o fluxo de pessoas entre continentes demandam a adoção de protocolos de vigilância em aeroportos e hospitais, como já implementados em países da América Latina.
O maior entrave atual para combater esse mal que se espalha sem ainda receber um olhar mais atento da comunidade internacional está na falta de financiamento para as respostas adequadas. Segundo a OMS, os países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) doaram somente 1/3 dos recursos necessários para frear o Ebola no Congo. Como se sabe, doenças transmissíveis não respeitam fronteiras e a falta de colaboração pode ser uma permissão para que o Ebola se fortaleça em sua senda trágica de ceifar vidas e de deixar uma legião de sequelados por onde passa.