O Brasil tem um excelente histórico de contribuição em órgãos colegiados de âmbito global, principalmente fazendo parte de instâncias vinculadas a entidades como a Organização das Nações Unidas (ONU). Um exemplo disso é a história de Sérgio Vieira de Mello, um filósofo e diplomata brasileiro, que prestou serviços à ONU durante 34 anos como Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos na primeira década deste século. Foi morto cumprindo seu dever num atentado terrorista no Iraque, em 2023.
Agora, novamente o país terá um cargo de destaque em nível mundial. Trata-se da escolha de Cristiane Collet Battiston, engenheira e diretora da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que foi eleita nesta sexta-feira para ser presidente do Conselho do Programa Hidrológico Intergovernamental (PHI) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O PHI é a plataforma principal para articular a cooperação internacional da agência para temas envolvendo a água. Ela reúne países-membros em iniciativas que incentivam a elaboração e a implementação de políticas públicas baseadas em evidências científicas. Esta é a primeira vez, em cinco décadas de existência do programa, que uma mulher ocupará a presidência do colegiado, um marco considerado inédito para a hidrologia e para a própria Unesco. Essa assunção ao cargo ocorre em um cenário estratégico, uma vez que a gestão dos recursos hídricos está no centro dos debates, ganhando destaque nas discussões globais, especialmente após a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém. Nesse fórum, foi ratificada a importância da água para estratégias de mitigação e adaptação à emergência climática.
Essa tarefa que será cumprida pela brasileira pode também ser um acúmulo para que a própria ANA se aprimore tecnicamente, uma vez que a agência, que ela integra desde setembro deste ano, foi acusada de não agir de forma preventiva nas tragédias de Brumadinho e de Mariana. As tragédias climáticas no planeta, no Brasil e no RS podem e devem ser mitigadas com medidas que envolvam um planejamento e uma implantação articulados e coletivamente financiados.