A proteção das crianças e adolescentes é uma responsabilidade compartilhada entre a família, a sociedade e o poder público e todos devem atuar em conjunto para seu bem-estar e também para defendê-las nas adversidades, notadamente naquelas que colocam em risco sua integridade física e psicológica. Nesse sentido, a escola ocupa um lugar primordial, bem como a comunidade onde eles vivem sua infância e sua adolescência, buscando fortalecer sua autonomia e sensação de segurança. É por isso que todos devem estar em alerta para, se for o caso, intervir de maneira adequada em qualquer ocorrência que demande ação e atenção.
Uma dessas situações diz respeito a quedas e a queimaduras que costumam, infelizmente, fazer parte do cotidiano desse segmento. De acordo com dados compilados pelo Projeto Criança Segura, da ONG Aldeias Infantis SOS e extraídos diretamente do DataSUS, plataforma que reúne notificações da área da saúde em todo o território nacional, esses incidentes são as causas mais comuns de internação de crianças e adolescentes até os 14 anos de idade no país, em 2025. Foram registradas mais de 55 mil internações por quedas, ou 43,4% do total para essa faixa etária, e mais de 25 mil internações por queimaduras, 19,6% do total. O contingente dos infantes respondeu por 162 mil de 1,6 milhão de hospitalizações de pessoas no país por acidentes, consideradas todas as faixas de idade, com 9,7% do todo, sendo 128,5 mil, 79,3% do total, mapeadas pelo Projeto Criança Segura. Esse montante, inclusive, é maior que o total de internações gerado pelos acidentes de trânsito, que fica em terceiro lugar nesse rol, com 12,6 mil ocorrências, perfazendo 9,9%, concentrados na faixa dos 10 aos 14 anos, totalizando 50,4%, e com presença importante na faixa dos 5 aos 9 anos, com indicador de 32,3%.
Os números são expressivos e falam por si só. Urge elaborar políticas públicas integradas entre coletividade e demais atores das iniciativas preventivas para que essa realidade possa ser revertida ou mitigada. Tragédias nessa fase da vida podem entravar um desenvolvimento harmônico e retirar a dignidade das vítimas, algo de que não se pode descurar nem negligenciar.