De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tinha, em 2025, 8,4 milhões de analfabetos, o menor número desde 2016. Isso pode muito bem se coadunar com aquela máxima do copo que pode ser visto meio cheio ou meio vazio. Por um lado, muitos podem ver como positiva essa redução, principalmente se ela indicar uma tendência permanente de diminuição dessa chaga que aflige, principalmente, os idosos. De outra banda, pode-se ver como preocupante o fato de que, até hoje, não se conseguiu erradicar essa adversidade num país que tem um grande montante de recursos aportados em educação, inclusive com a extinção do analfabetismo constando dos diversos planos nacionais de educação.
Esse número de pessoas que não sabem ler nem escrever representa um contingente que supera em mais de duas vezes a população do Uruguai, nosso vizinho país que tem cerca de sete milhões de habitantes. Imagine-se o dia a dia desses brasileiros e brasileiras tendo dificuldades desde as mais comezinhas, como identificar o letreiro de um ônibus, até tarefas mais complexas, como ler um contrato da compra de um bem ou interpretar um texto. São alvos fáceis para a desinformação e mesmo para os estelionatos, presenciais ou virtuais. Isso inclui a descrença na ciência, como no caso das vacinas, essenciais para preservar a saúde e salvar vidas. As causas para a continuidade desse verdadeiro flagelo social são as mais variadas, incluindo desigualdades regionais e raciais, histórico de exclusão educacional de determinados setores, desinteresse e evasão escolar entre os jovens, mal aproveitamento de verbas em programas específicos, entre outras.
Diante dessa realidade, não basta apenas apontar uma perspectiva futura de resolução desse drama social que exclui do exercício de direitos básicos uma grande parcela dos cidadãos. É preciso, no curto, médio e longo prazos, adotar iniciativas consistentes para resolver de vez essa questão que atinge a dignidade humana de milhões de homens e de mulheres. A cidadania não pode mais esperar por uma solução que não seja efetiva.