Editorial

Neste dia 3 de outubro, registra-se a passagem do Dia Nacional de Combate à Pirataria, que tem o objetivo de alertar a sociedade sobre os riscos de consumir produtos e serviços ofertados no comércio ilegal, com consequências danosas para todos. A instituição dessa data se deu por meio da Lei 11.203/2005, representando uma preocupação legítima do parlamento em coibir práticas que prejudicam o comércio legalizado e trazem uma série de prejuízos para a população.

São muitos os danos causados por essas condutas ilícitas. Afetam a economia, prejudicando a arrecadação de tributos; os empregos, porque, com os custos menores que as empresas formais, fazem uma concorrência desleal e predatória; a segurança, uma vez que comercializam itens fora dos padrões dos órgãos de fiscalização, valendo-se, inclusive, de substâncias nocivas ao corpo humano e até mesmo aos animais de estimação. Além disso, e muito grave, os lucros dessas atividades delituosas acabam por ser reempregados em outras ações criminosas, capitalizando o crime organizado, que, assim, pode ampliar suas operações e seus lucros, colocando em xeque as instituições e o regime democrático. De acordo com o Fórum Nacional Contra a Pirataria, o país perde em torno de R$ 500 bilhões por ano com a falsificação, o contrabando e a pirataria. É um montante significativo que acaba ficando nas mãos de delinquentes para que eles continuem a praticar suas fraudes e malfeitos, enriquecendo com isso.

Neste combate a esse segmento inescrupuloso, cabe a participação dos cidadãos e das cidadãs, que precisam entender que não podem fazer parte dessa cadeia dolosa. O barato de um primeiro momento sempre sairá mais caro lá na frente e poderá ter uma relação direta com a falta de leitos ou de remédios, com o desemprego, com as obras não realizadas, com a parca limpeza das vias públicas. Esse nexo causal é uma evidência de que urge haver uma reflexão de cada um em prol do coletivo, bem como campanhas de esclarecimentos sobre os malefícios de uma compra aparentemente inocente num ato de aquisição que traz consigo graves implicações.