Talvez um grande contingente de pessoas ainda nem tenha despertado para o problema, mas o fato é que quedas são a causa direta de milhares de acidentes no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo. A questão é tão importante que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu uma data para chamar a atenção para o assunto. Trata-se do Dia Mundial de Prevenção de Quedas, registrado neste 24 de junho. A efeméride conta com o apoio do Ministério da Saúde e dos órgãos de saúde dos demais entes federados do país.
Quando se revelam os números, é possível projetar um outro olhar sobre a gravidade do tema. Isso pode ser ilustrado por uma constatação que é de causar espécie: as quedas são a segunda maior causa de morte acidental entre idosos no país. Apesar de atingirem todas as faixas de idade, é na chamada terceira idade que elas majoritariamente ocorrem. Os indicadores são taxativos: ocorrem 600 mil fraturas de fêmur por ano, sendo 90% causadas por esses tombos inesperados. Ao todo, são mais de 100 mil hospitalizações anuais de pessoas acima de 60 anos. No RS, fica entre 28% e 35% o montante dos idosos com 65 anos ou mais que caem anualmente, índice que pode ultrapassar 40% na faixa etária a partir dos 70 anos. No restante do mundo, aproximadamente 28% dos idosos sofrem ao menos uma queda por ano e, acima dos 80 anos, esse percentual pode chegar a 50%. Como se fixou, esse tipo de incidente pode abreviar a vida de pessoas ou deixar sequelas permanentes. Os fatores que causam tais ocorrências são de ordem pessoal ou externa. Em relação à pessoalidade, podem ser arroladas perda de massa muscular, doenças osteoarticulares, diabetes, hipertensão, uso de múltiplos medicamentos, tonturas, problemas de visão e audição. Em relação a variáveis externas, estão pisos escorregadios, tapetes soltos, iluminação insuficiente, ausência de corrimãos, móveis baixos ou instáveis, calçados inadequados.
No âmbito da prevenção, há que se considerar ainda a necessidade de políticas públicas que contemplem a mobilidade urbana. Cabe remover obstáculos e tornar o perímetro urbano mais funcional e amigável para essas pessoas. Para tanto, para que adotem as medidas cabíveis, há que se ter empatia e apreço pela cidadania alheia, bem como pela sua fragilidade intrínseca a certas fases da vida.