Neste 20 de novembro, registra-se uma efeméride muito relevante, o Dia da Consciência Negra, que, pela primeira vez, será feriado. Em todo o território nacional, estão previstas atividades de comemoração e de promoção de eventos relativos ao tema. Trata-se do mesmo dia em que Zumbi dos Palmares, líder da resistência contra a escravidão, foi assassinado em 1695. Verifica-se uma oportunidade de reflexão para a luta contra preconceitos raciais que teimam em remanescer no nosso cotidiano.
O Brasil foi o último país civilizado a abolir o regime escravista, em 1888. A população libertada não teve as oportunidades merecidas e foi sendo deslocada para morar nas periferias das grandes cidades, sem acesso a serviços básicos como educação, saneamento, saúde, entre outros. Isso gerou desigualdades históricas que ainda constituem chagas sociais na nossa sociedade. Não obstante a conquista da igualdade formal, com a ascensão a uma condição de cidadão como os demais, o fato é que a igualdade real ainda não foi atingida, impondo-se a necessidade de estudar medidas que apontem para a superação das disparidades. Nesse sentido, a elaboração de políticas públicas de inclusão é relevante. Afinal, de acordo com o Censo de 2010, cerca de 54% da população se declarou preta ou parda, sendo que essa percentagem pode ter tido incrementos nas últimas décadas.
A tradição brasileira sempre foi de um convívio harmônico e de incorporação de outros segmentos à nacionalidade. Assim também ocorreu com os afros-brasileiros, que muito têm ajudado nossa nação a crescer em todos os segmentos, desde a cultura até a economia. Todavia, isso não é feito sem percalços, sem que haja a necessidade de correção de rota em muitos pontos. É por isso que, para sermos justos, precisamos investir mais em igualdade, palavra-chave. Hoje é um momento relevante para uma reflexão efetiva e para reafirmarmos nosso compromisso com uma sociedade mais justa e mais plural.