Elas são a maioria da população, mas são a minoria nos órgãos de poder, a exemplo dos Legislativos federal, estaduais e municipais. Estamos falando das mulheres, que continuam sendo sub-representadas na vida pública. A cada eleição para cargos públicos, notadamente, no parlamento, elas vão aumentando sua fatia de inserção, mas em números notadamente menores e desproporcionais aos dos homens. Enquanto persistir essa distorção, é certo que estaremos longe de ter uma democracia estável, inclusiva e com a representatividade adequada. O desafio é inverter essa lógica e enfrentar os fatores que afastam as brasileiras da participação na vida pública do país.
Com o intuito de contribuir com essa discussão e fornecer subsídios para o debate, incentivando a adoção de medidas igualitárias no processo eleitoral, foi lançado nesta terça-feira o Portal da Classe Política. A iniciativa é do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem), da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo os dados da plataforma, o montante de mulheres que disputam vagas para a Câmara dos Deputados cresceu quase dez vezes entre 1998 e 2022, mas não houve avanço proporcional na ocupação de assentos no Legislativo. O total de candidatas à Câmara saltou de 358, em 1998, para 3.668, em 2022, um aumento de aproximadamente 925%. Nesse mesmo lapso temporal, as cadeiras ocupadas por deputadas federais eleitas passaram de 29 para 90, uma alta de 210%, ainda insuficiente, não obstante a expansão da bancada feminina.
Neste ano de eleições, é preciso que o poder público e a sociedade civil encorajem as mulheres a buscar mais espaços na política, inclusive apresentando suas pautas e reivindicações específicas, como as creches, o fim dos feminicídios, a violência doméstica, a discriminação salarial e a dupla jornada de trabalho, entre outras. As candidaturas das mulheres precisam receber apoio e recursos em igualdade com os homens para que elas possam ter condições mínimas de levar seu programa para as comunidades onde vivem, aportando para uma sociedade mais justa e menos desigual.