Editorial

Uma efeméride para reverenciar nosso idioma e nossa história

A língua portuguesa é nosso diferencial no mundo e um legado da civilização lusitana.

Neste dia 5 de novembro, registra-se a passagem do Dia Nacional da Língua Portuguesa. A data foi escolhida como uma homenagem direta ao dia do nascimento do escritor, político e jurista baiano Ruy Barbosa (1849-1923). Ele ficou conhecido na história do país como um dos maiores intelectuais da República e um profundo estudioso e defensor da nossa língua. A instituição da efeméride foi feita por meio da Lei 11.310, de 12 de junho de 2006, e a proposição teve como autor o então senador Papaléo Paes.

O idioma português veio para o Brasil nas caravelas da frota de Pedro Álvares Cabral e está na gênese da descrição das novas terras encontradas e das suas possibilidades futuras pela pena do escrivão Pero Vaz de Caminha, que escreveu ao rei dom Manuel I, dando ciência das descobertas e das maravilhas do novo mundo que se descortinava perante seus olhos. Foram os navegadores portugueses que foram expandindo a língua de Camões. Hoje, já são mais de 250 milhões de falantes desse código linguístico em todo o planeta, sendo a língua oficial em 9 países (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), além de Macau (China), a quarta mais falada em nível mundial, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Esses números, por si só, evidenciam por que o português carrega consigo tantas singularidades, dando voz e vez a tantos povos diferentes, que encontram nele a forma ideal de expressar suas emoções e suas vivências, transferindo legados e construindo arte e beleza ao longo dos tempos.

Já disse um importante filósofo que só existe o que pode ser nomeado. O que não pode ser expresso não habita uma dimensão palpável, não é reconhecível. Nossa língua, que também gerou seus dialetos em terras brasileiras, é uma riqueza imaterial imensurável. Faz parte da nossa existência, desde a comunicação mais habitual até o substrato das nossas artes e das nossas letras. Em época de feiras de livros, como a de Porto Alegre, que está em curso, é oportuno reverenciar nossa "última flor do Lácio, inculta e bela", como escreveu o poeta Olavo Bilac. Também é um sinal de gratidão aos antepassados e de afirmação como coletividade linguística.