Editorial

Não é despiciendo conjecturar que, se hoje, o personagem Tibicuera, de Erico Verissimo, novamente perguntasse ao seu pajé qual é o maior bem da vida, este lhe respondesse que o supremo bem da vida é a saúde, pois este item há muito tempo vem se impondo como imprescindível para uma existência mais produtiva e mais feliz. E também engloba e prolonga os privilégios da mocidade, que foi a resposta do sábio para o curioso índio.

Dessa forma, há que sempre se valorizar a saúde coletiva e individual, realizando os procedimentos corretos para prolongar o bem-estar de todos. E isso nunca foi tão viável à medida que temos atualmente uma ciência que evolui paulatinamente e vai oferecendo soluções para males que até pouco tempo pareciam incontornáveis. Nesse sentido, não se pode admitir que alternativas sejam negligenciadas por determinados segmentos quando a coletividade e o poder público propiciam ferramentas que podem ajudar no enfrentamento de doenças que deixam sequelas ou são letais, como no caso dos diversos tipos de cânceres. Nesse contexto de novas possibilidades, causa espécie o resultado de um levantamento internacional que aponta que 43,2% dos óbitos provocados pela doença no Brasil poderiam ter sido evitados com medidas de prevenção, diagnóstico precoce e acesso mais efetivo ao tratamento. Trata-se de um capítulo da edição mais recente da revista científica The Lancet, uma das publicações médicas mais conceituadas internacionalmente. Segundo o levantamento, que conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), das ocorrências de câncer diagnosticadas no país em 2022, cerca de 253,2 mil devem resultar em morte até cinco anos após a detecção. Desse montante, 109,4 mil poderiam ter sido evitadas.

O que se percebe claramente a partir deste relato é que milhares de óbitos são fruto de um comportamento de risco daqueles que fazem parte de um universo sensível a condutas que os expõem ao perigo, como o consumo excessivo de tabaco e de fumo, excesso de peso, exposição a radiações ultravioleta e até passividade diante de vários tipos de vírus, como o do HPV. Em sendo assim, temos uma combinação de fatores que geram perdas de entes queridos em face de uma letalidade que não foi corretamente enfrentada a tempo.