Este início de ano tem sido bastante trágico em relação à violência contra as mulheres, com a opressão doméstica ganhando novos contornos e batendo recordes. No Rio Grande do Sul, em janeiro, foram 11 feminicídios, o que evidencia que são urgentes medidas efetivas, de curto, médio e de longo prazos, para se contrapor a esta verdadeira mortandade, sem esquecer as agressões que deixam marcas corporais e psicológicas, desestruturando famílias e disseminando um clima de insegurança na sociedade.
Em todo o Brasil, segundo estimativas mais recentes, o montante de assassinatos de brasileiras chega a cerca de 1.500. São quatro vítimas e 10 tentativas de feminicídio por dia. Contam-se também aos milhares o total anual de agredidas, tanto física como psicologicamente. São estatísticas que chocam e colocam em xeque nossos valores e nossa organização social, demandando uma reação imediata da coletividade e das instituições. Ações estruturadas e com alto grau de planejamento necessitam ser implementadas, com essa questão sendo contemplada no orçamento dos entes federados, União, estados e municípios, principalmente na esfera local, onde moram essas mulheres. Nesse sentido, vem em boa hora a informação de que está sendo formada uma frente, formada pelo governo federal, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário, lançada nesta quarta-feira, denominada de Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, a fim de dar um efetivo tratamento a essa verdadeira epidemia de assassinatos contra pessoas que são mães, esposas, companheiras, filhas, avós, netas, com muitas delas sendo o esteio dos clãs familiares e a alegria dos seus parentes e amigos. Urge trabalhar para coibir esses delitos, que costumam ser de fácil elucidação, mas de prevenção bastante complexa, o que não deve inibir que as forças policiais e as entidades assistenciais ajam com a máxima efetividade para salvar vidas.
Nesse contexto, o envolvimento das comunidades é essencial para alertar as autoridades sobre casos de ameaça à integridade física e emocional das mulheres em situações que podem evoluir para delitos bárbaros e para tragédias. Cabe realizar campanhas de esclarecimento para confrontar o machismo vigente e criar uma rede de solidariedade com as vítimas em potencial, as quais vivem no nosso entorno e precisam da nossa ajuda.