Desde os primórdios da civilização humana, contar uma boa história e legá-la às gerações posteriores sempre foi um desafio de monta. Nesse processo, muitas obras vingaram e outras se perderam para sempre. Exemplos de sobrevivência literária são “Ilíada”, que enfoca a Guerra de Troia, e “Odisseia”, que narra a jornada de Ulisses para retornar à casa depois desse conflito, ambas da verve do poeta grego Homero. Isso seria assim, com muitas perdas e vários danos para a nossa cultura, até o advento da imprensa, que ocorreu quando Johannes Gutenberg inventou a impressão com tipos móveis, por volta de 1440, na Alemanha, revolucionando a produção de livros.
Em meio a esse novo contexto, a oralidade continuou a desempenhar um papel preponderante, impulsionando a escrita e sendo impulsionada por ela. Basta lembrar a música, que é basicamente agradável ao ouvido e ao imaginário antes mesmo de ser registrada e de virar um registro de partitura, algo feito artesanalmente em tempos idos, como forma de repassar aos pósteros as obras de arte, como no caso da música clássica e de outros gêneros. Nessa diacronia, uma história bem contada continuou encantando crianças e adultos ao longo do tempo. De uma certa forma, todos temos memórias de algumas lendas ou contos que ouvimos na infância. Isso ajuda a fazer um repertório, criar imagens afetivas e desenvolver o potencial de empatia e troca de experiências a partir da absorção de conteúdos de uma produção criativa do passado projetada no presente. Não é à toa que a educação reserva um papel importante para os profissionais que vão buscar que nossos alunos sejam proficientes na expressão oral e escrita, principalmente na disciplina de Língua Portuguesa. Essa habilidade, como bem é sabido e consabido, é essencial para que eles possam se desenvolver como cidadãos aptos a contribuir em suas áreas de atuação para a sociedade.
Neste 20 de março, registra-se a passagem do Dia do Contador de Histórias. No RS, esses contadores, não apenas de histórias, mas de lendas e de causos, são muito apreciados. São eles que têm a chave para abrir o mundo da imaginação para milhares de leitores, notadamente para os infantes. Contar um bom enredo e prender o leitor é um talento que deve ser estimulado e apreciado em nossa coletividade. A cultura popular e o ensino regular só têm a ganhar a cada vez que isso ocorre.