Os cuidados com a saúde têm várias fases e envolvem o antes, o durante e o após eventual tratamento. Cada um desses momentos tem sua relevância e deve ser observado pelo paciente, pelo serviço médico e pelo entorno do assistido quando tem alta. Podemos referi-los cronologicamente como o período da prevenção, quando são feitos exames e diagnósticos preventivos; o período do atendimento, quando o poder público fica responsável por atender diretamente o doente; e o período da convalescença, quando ele recebe alta e passa a implementar cuidados próprios ou de sua família em sua recuperação parcial.
Este terceiro momento tem tudo para ser o da superação da enfermidade, quando tudo se estabiliza e a pessoa pode retomar suas atividades cotidianas. Infelizmente, não é sempre assim. Esse retorno pode envolver outros elementos complicadores que podem até reverter as melhorias obtidas por ocasião da internação. Disso deu-se conta o Instituto Nacional do Câncer (Inca). O órgão, com suas unidades baseadas no Rio de Janeiro, mas exercendo suas atividades por todo o país, resolveu implementar o INCAvoluntário, vinculado ao Programa Nutrir. Trata-se de uma iniciativa que tem como foco recrutar voluntários para atuar em projetos que visem ajudar os pacientes em situação de vulnerabilidade social a manterem uma alimentação saudável. Não raro, muitos deles, por conta da falta de recursos, não conseguem ter acesso aos alimentos indicados para obter os nutrientes decisivos para seu pronto restabelecimento. Nesse sentido, o Inca criou uma rede de suporte em que os seus integrantes vão propiciar ao egresso do sistema hospitalar um cartão-alimentação para que ele possa comprar os itens de que precisa. A par disso, o grupo poderá realizar a arrecadação de arroz, feijão, macarrão, aveia, leite em pó e outros gêneros para doar ao convalescente e suas famílias.
Há que se saudar essa inovação do Inca porque ela se mostra com um olhar solidário expandido, acolhendo o enfermo nas suas diversas etapas de recuperação. De nada adianta curá-lo num curto prazo se ele continuar vivendo em condições adversas que podem impactar na sua sanidade física e psicológica. Esse tipo de auxílio humanizado evidencia que nossa sociedade tem um inesgotável potencial de empatia.