Há uma famosa frase atribuída ao filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard: “A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para a frente”. Isso ilustra muito bem a importância de conhecer o passado como meio de obter subsídios para suas ações no presente, bem como para compreender a trajetória de um povo até afirmar sua nacionalidade e sua cultura. É por isso que a memória coletiva é fundamental para configurar uma rota comum e criar confluências culturais que vão se imiscuindo no cotidiano das pessoas, fazendo com que elas disseminem valores e conhecimentos compartilhados.
Desta forma, no dia a dia, além dos saberes populares, muitos transmitidos de forma oral ou registrados por pessoas votadas ao mister da pesquisa, é preciso contar com instituições que tenham no seu escopo a missão de preservar os registros e as informações imprescindíveis sobre fatos, objetos e personagens da nossa história. São várias delas no Rio Grande do Sul, como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli, a Casa de Cultura Mario Quintana, a Biblioteca Pública do Estado (BPE), o Museu de História Júlio de Castilhos, o Arquivo Histórico do Estado do Rio Grande do Sul, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRGS), dentre tantas. Nesse rol relevante, figura também o Memorial do Judiciário do RS, que tem a incumbência de preservar o acervo histórico da prestação jurisdicional no Estado desde tempos os mais remotos. Exemplo são os autos do famoso caso dos crimes da Rua do Arvoredo, atribuídos ao açougueiro José Ramos. A par disso, o Memorial também realiza atividades de interação social com a comunidade, principalmente estreitando os laços com os estudantes gaúchos, com diversos programas e projetos de acolhimento, de aprendizado e de entretenimento.
Recentemente, neste mês de outubro, houve uma alteração na condução da entidade, com a ascensão da desembargadora aposentada Helena Ruppenthal Cunha à coordenação, substituindo o desembargador aposentado José Carlos Teixeira Giorgis, que ficou 16 anos no cargo e fez uma gestão histórica de muitas conquistas. Certamente, a nova gestão continuará a trilhar esse caminho que aproximou o Memorial dos jurisdicionados, incentivando confianças mútuas entre a sociedade e o Poder Judiciário, que julga suas demandas para fazer justiça.