Editorial

Uma medida a ser enfrentada

Diante dessa decisão, entidades representativas e autoridades brasileiras imediatamente se posicionaram, cobrando a reversão de tal decisório. E foram além. Não haverá entregas também no país.

A decisão do Grupo Carrefour de suspender as compras de carnes do Mercosul para colocação no mercado francês está eivada de distorções acerca do funcionamento dos mercados globais, bem como carrega em si mesma uma justificativa inaceitável diante de um intercâmbio consolidado. Primeiramente, é importante que se frise que o protecionismo disfarça uma falta de competitividade dos agricultores franceses, que não conseguem colocar seus produtos no mercado local de uma forma que os torne atrativos aos compradores. Igualmente, não é crível que se traga um argumento de motivação sanitária e ambiental, haja vista que o Brasil se constitui num histórico fornecedor do mercado europeu. Tal assertiva é ofensiva aos produtores e consumidores brasileiros, pois a carne é ofertada nas unidades do grupo no país, o que evidencia uma contradição.

Diante dessa decisão, entidades representativas e autoridades brasileiras imediatamente se posicionaram, cobrando uma reversão de tal decisório. E foram além. O Ministério da Agricultura, por meio do ministro Carlos Fávero, e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informaram que haverá uma suspensão das entregas também em território nacional. Igualmente o parlamento está agindo. O deputado Alceu Moreira (MDB-RS), diretor de Política Agrícola, anunciou que demandará o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) para instalar uma comissão externa da Casa a fim de pressionar a rede de hipermercados. Outras ações tiveram palco no Senado. A senadora Tereza Cristina apresentou um requerimento para que o embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain, seja convidado para comparecer à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional para prestar esclarecimentos sobre a posição da França contra o acordo entre Mercosul e União Europeia.

O momento exige união entre os países do Mercosul, autoridades, produtores e sociedade civil. Alguns interesses menores não podem comprometer uma ampla negociação entre nações soberanas e de longo histórico de comércio entre si.