Na última quinta-feira, a Polícia Civil gaúcha deflagrou mais uma edição do Dia D da Operação Mulher Segura no Rio Grande do Sul. Trata-se de intensificar os trabalhos para apurar e punir situações de violência contra as mulheres, realizando procedimentos indispensáveis para proteção imediata e para instruir processos visando à condenação dos agressores. As ações envolveram o cumprimento de ordens judiciais em Porto Alegre, Viamão, Alvorada, Gravataí, São Leopoldo, Uruguaiana, entre outros municípios.
Essa presença das forças policiais, com sua visibilidade, na busca de réus ou acusados, é muito importante no momento em que a tragédia dos feminicídios continua a ceifar vidas e a enlutar famílias, deixando, em muitos casos, filhos desamparados. Os números mostram um cenário de extrema gravidade. No Rio Grande do Sul, o Estado chegou a 66 feminicídios registrados em 2026, segundo levantamentos divulgados no início de novembro. Em âmbito nacional, os dados mais recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que foram registradas 399 vítimas de feminicídio apenas no trimestre de janeiro a março do ano em curso, representando um aumento de 7,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Nesta etapa das operações, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão (MBAs) e nove prisões realizadas na data inicial em todo o território gaúcho. Na contagem geral do saldo acumulado das edições e ações realizadas de junho a outubro, a operação já contabiliza 588 prisões no Estado. O principal critério para a seleção dos alvos foi verificar quais dos prazos de validade estavam mais próximos ao vencimento, a par do alto grau de emergência e reiteração dos crimes investigados.
Sem dúvida, essa ofensiva é bem-vinda porque ela rompe com a sensação de impunidade que cerca esse tipo de delito, que costuma ter autoria frequentemente identificável e ocorrência difícil de ser evitada. É por isso que é preciso trabalhar na conscientização prévia nas escolas e nas comunidades, bem como deixar claro que os autores dessas condutas reprováveis não ficarão sem a devida punição.