Editorial

Uma nova estrutura para ajudar no combate à opressão da mulher

A melhoria das instalações da Polícia Civil voltadas à defesa das mulheres é essencial.

Os frequentes casos envolvendo a violência contra a mulher demandam medidas urgentes, como o aprimoramento do trabalho policial e a ampliação do acolhimento para as vítimas. Para tanto, as autoridades vêm se mostrando atentas às demandas e buscando meios de maior efetividade na prevenção e na contenção dos agressores. Os números são alarmantes e, entre incontáveis casos de agressão, já são mais de 30 feminicídios ocorridos no Rio Grande do Sul até este mês de maio, que ainda nem terminou. Em todo o território nacional, já são cerca de 400 mortes de mulheres apenas no primeiro trimestre.

Nesse contexto, vem em boa hora a notícia da inauguração de um novo prédio da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Porto Alegre, com foco em um atendimento ainda mais qualificado e específico para as gaúchas. Contando com o apoio da iniciativa privada, as novas instalações foram projetadas para garantir acolhimento integral e humanizado às mulheres em situação de vulnerabilidade. Além da assistência propiciada pela Polícia Civil, o espaço contará com serviços de assistência social, atendimento psicológico e suporte da Defensoria Pública, proporcionando atuação integrada e especializada no enfrentamento das questões do público feminino. A estrutura planejada prevê um espaço para que as mães possam ser alojadas com seus filhos e também há meios de impedir que os agressores tenham contato com quem foi alvo de sua agressão. Haverá diariamente dois delegados especializados prestando seus serviços e cinco cartórios individualizados para atendimento, duas amplas celas e sala de reconhecimento. Trata-se de um suporte muito bem planejado e que estará sendo colocado à disposição daquelas pessoas postas em uma situação de risco.

Essas ocorrências precisam realmente ser tratadas com todo cuidado a fim de se impedir fatos ainda mais graves. Contudo, há que se atentar para o fato de que o enfrentamento tem que ir além dos casos pontuais. O combate ao machismo deve ser feito nas famílias, nas escolas e nas comunidades, com a defesa efetiva da dignidade das mulheres e do seu direito inalienável de viver com liberdade e com segurança.