Editorial

Uma preocupação que ronda o processo eleitoral no país em 2026

Caberá à Justiça Eleitoral impedir que a desinformação prevaleça nas eleições.

As eleições deste ano em curso certamente terão momentos de muitos embates e um dos principais entraves será o de detectar o uso da inteligência artificial para criar vídeos e outras mídias visando induzir os eleitores a erro. A Justiça Eleitoral, agora sob a presidência do ministro Nunes Marques, que assumiu recentemente suas funções no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se depara com a gigantesca tarefa de conduzir um pleito importante no contexto de uma nação dividida em relação aos posicionamentos políticos, precisando exercer a contenção, a fiscalização, a prevenção e a repressão diante de condutas que certamente advirão nesse contexto bastante polarizado.

Não se trata mais de apenas fazer montagens falsas, sobrepondo texto e imagem, sem fontes e com deturpações das mensagens escritas, ou mesmo de fazer postagens duvidosas com afirmações inidôneas nas próprias redes sociais. O problema agora reside na elaboração sofisticada de vídeos e assemelhados em que se pode imitar ou inventar uma aparição de alguém com expressões realistas, copiando a voz e até características próprias de outrem por meio de novas ferramentas da IA. Para um eleitor desinformado, será muito difícil discernir se aquilo a que está assistindo é real ou fictício. Para se ter uma ideia, algumas plataformas já estão implementando gravações com “pessoas” não reais agindo na tela como se de verdade fossem. Essa ação não constitui ilícito, uma vez que elas informam tratar-se de emprego de meios tecnológicos para criar tais indivíduos, mas mostra bem a dificuldade que se tem para diferenciar essas inserções daquelas em que quem aparece na tela é um sujeito real. É por isso que o estafe que vai dar assistência para o TSE precisa estar munido de um domínio técnico aprimorado para dar as respostas adequadas e com a celeridade necessária.

Para o professor Marcus Ianoni, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, há que se garantir a liberdade de expressão sem que haja espaço para delitos como mentiras, calúnia, difamação e injúria. Sem dúvida, encontrar o meio-termo no âmbito de uma disputa tão acirrada é um desafio sem precedentes na história republicana do país.