Editorial

Uma ‘vantagem’ que pode custar muito caro ao consumidor

A nova investida dos criminosos agora está com foco no crédito consignado.

As ocorrências de golpes contra o patrimônio de terceiros configuram um montante imensurável no país, com números impressionantes todos os dias. Os registros indicam ardis os mais variados para obter vantagem patrimonial indevida e lucro fácil. O advento das novas tecnologias trouxe um rol novo de delitos, que são praticados com engenhosidade pelos meliantes, que ficam num jogo de gato e rato com a segurança digital, sempre buscando formas de burlá-la quando bancos, empresas e outras entidades agem para estancar as possibilidades de êxito dos estelionatos. Quando se fecha uma porta, os criminosos abrem outra; quando se aperfeiçoam as ferramentas de controle, eles tentam, e, muitas vezes, conseguem, encontrar brechas para praticar seus delitos.

Nesse vaivém entre proteção e investidas ilícitas, vamos vendo as mais diversas formas de atuação dos fora da lei digitais. A rede mundial de computadores propiciou-lhes novas oportunidades de ludibriar pessoas. São incontáveis, dentro do estelionato, as modalidades levadas a efeito nessa senda criminosa. Há o golpe da troca do cartão de crédito, o da falsa central telefônica, as mensagens eletrônicas contendo vírus, a armadilha do falso boleto, a plataforma que simula uma outra para atrair pagamentos e dados pessoais, o envio de um valor por Pix para solicitar restituição e depois cancelá-lo. Enfim, a criatividade dos estelionatários, bem como seu aperfeiçoamento nessas práticas ilegais, beira o inacreditável. E nunca param de surgir ou ressurgir meios de iludir outrem. Isso é confirmado pelo recente incremento na já existente onda de ilícitos envolvendo os consignados. Os malfeitores fazem contato propondo trocar uma dívida real por uma outra de menor valor, com juros menores. A vítima entende que lhe está sendo oferecida uma vantagem e adere à proposta. Em sequência, é feito o novo empréstimo a partir dos dados que ela forneceu, o dinheiro cai na sua conta e ela é demandada a devolver o total creditado via Pix. No final de tudo, ela fica com a dívida que já existia e faz uma nova, arruinando ainda mais sua condição financeira.

Muitas formas existem de não cair neste estratagema bem urdido. O principal deles diz respeito à informação. É preciso estar atento e nunca confiar apenas no que é dito ou transmitido. O contato com as entidades por canais oficiais é também muito importante. A desatenção, a credulidade sem peias e a desinformação podem fazer um estrago num orçamento familiar, com consequências danosas e imprevisíveis.