Estamos nos aproximando da data magna das mulheres, o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e suas pautas merecem ser ressaltadas, como o combate ao machismo, a equidade salarial, o fim dos feminicídios, entre outros temas. Entre eles, é preciso dar uma atenção especial à questão das creches, que são em número insuficiente para garantir que as mães possam trabalhar, ter autonomia financeira e contribuir para o sustento de suas famílias. Essa lacuna já dura décadas e sua não resolução implica efeitos danosos para o aprendizado dos alunos desde a educação infantil, com reflexos a posteriori nos ensinos fundamental e médio.
Ter um lugar seguro e apropriado para deixar seus filhos é um direito das mulheres brasileiras e um dever a ser cumprido pelo poder público nas diversas esferas, municipal, estadual e federal, que têm a responsabilidade compartilhada nesse ponto. Os números indicam que houve uma melhora nesse panorama, mas que existe uma necessidade imperiosa de avançar ainda mais. De acordo com dados do Censo Demográfico, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a oferta de vagas nas creches alcançou um percentual de 33,9% para crianças de até três anos em 2022. Esse indicador já foi menor, com 9,4% no Censo 2000 e com 23,5% em 2010. Isso mostra que houve melhoras, mas que elas são ainda insuficientes para resolver as demandas. Muitas vezes, por ausência de um lugar adequado, os infantes são deixados com pessoas sem a qualificação necessária ou mesmo em estabelecimentos que não cumprem a legislação ou que colocam sua integridade física e psicológica em risco, como em caso de maus-tratos. Sem falar que recebem um aprendizado que não costuma ser condizente com suas fases de desenvolvimento.
Os números indicam que a universalização de atendimento ainda está longe. Cabe aos governantes colocar essa perspectiva em seus orçamentos, com investimentos a curto, médio e longo prazos. Trata-se de um jogo de ganha-ganha, fundamental para o futuro da nação.